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Ciência revela: cérebro dos brasileiros pode diminuir e ficar “pequeno”

Por Matheus Chaves
09/05/2026
Cérebro

Imagem: Jcomp/Magnific

Durante décadas, a evolução humana foi associada ao aumento do cérebro e ao avanço da capacidade cognitiva. No entanto, um estudo vem relevando um movimento oposto: o cérebro dos brasileiros e outros seres humanos pode diminuir de tamanho ao longo do tempo. E um dos fatores mais associados a essa mudança é justamente o aumento da obesidade na população mundial.

A descoberta ganhou força após a publicação de uma pesquisa na revista científica Brain, Behavior, and Evolution, conduzida pelo pesquisador Jeff Morgan Stibel. O trabalho analisou fósseis humanos e dados modernos para entender como o cérebro evoluiu nos últimos milhares de anos.

Na prática, o estudo indica que humanos modernos apresentam redução nos níveis de encefalização, termo utilizado para medir a relação entre tamanho cerebral e massa corporal. Segundo Stibel, parte importante dessa mudança pode ser explicada justamente pelo aumento do índice de obesidade nas populações atuais.

O que os pesquisadores descobriram

Para chegar aos resultados, Stibel analisou dezenas de espécimes humanos do período Holoceno e do fim do Pleistoceno, além de comparar dados modernos obtidos por autópsias realizadas entre 1980 e 1982.

A pesquisa utilizou restos ósseos capazes de fornecer estimativas independentes tanto da massa corporal quanto do tamanho cerebral. Ao todo, foram analisados:

  • 30 espécimes humanos do Holoceno;
  • 25 espécimes do fim do Pleistoceno;
  • 16 fósseis de hominídeos mais antigos;
  • 19 indivíduos contemporâneos que morreram entre 1980 e 1982.

Os cientistas identificaram que o tamanho absoluto do cérebro humano moderno apresentou redução de aproximadamente 5,4% em comparação com humanos pré-históricos. Além disso, houve diminuição significativa da encefalização em períodos mais recentes da evolução humana.

Relação entre obesidade e diminuição cerebral

Um dos pontos mais importantes do estudo é justamente a associação entre obesidade e redução do cérebro. Segundo Stibel, quando houve o controle de fatores relacionados ao excesso de peso, os cérebros humanos modernos apresentaram dimensões mais próximas das observadas em humanos pré-históricos. Isso sugere que o aumento da massa corporal, especialmente ligado ao acúmulo de gordura, pode estar influenciando diretamente a estrutura cerebral.

O mecanismo segue uma lógica metabólica e evolutiva. O cérebro é um órgão extremamente caro para o organismo em termos energéticos, consumindo grande quantidade de calorias para funcionar. Dessa forma, alterações corporais importantes ao longo das gerações podem acabar produzindo adaptações fisiológicas relacionadas ao tamanho cerebral.

Ou seja, a ciência revela que o cérebro de pessoas que desenvolveram obesidade pode efetivamente diminuir ao longo do tempo, ficando relativamente “menor” em comparação com padrões observados anteriormente na espécie humana.

Mudanças climáticas também podem influenciar

Outra pesquisa conduzida por Jeff Morgan Stibel e publicada posteriormente também encontrou relação entre mudanças climáticas e redução cerebral.

O estudo, divulgado novamente pela revista Brain, Behavior, and Evolution, analisou crânios humanos dos últimos 50 mil anos e concluiu que períodos de aquecimento climático estiveram associados a cérebros menores.

Segundo o pesquisador, o processo de redução teria começado há aproximadamente 15 mil anos e pode continuar acontecendo atualmente. A hipótese levantada é que alterações ambientais, mudanças metabólicas e transformações no estilo de vida moderno estejam atuando em conjunto sobre a evolução humana. Isso inclui sedentarismo, aumento calórico da dieta e crescimento global da obesidade.

Cérebro menor significa menos inteligência?

Os próprios pesquisadores fazem uma ressalva importante: redução no tamanho cerebral não significa automaticamente menor inteligência individual.

O estudo utilizou o tamanho do cérebro como marcador evolutivo indireto, já que não é possível medir diretamente funções cognitivas em fósseis humanos. Além disso, fatores ambientais como educação, acesso à informação, saúde e tecnologia também influenciam fortemente o desempenho intelectual.

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Matheus Chaves

Matheus Chaves

Jornalista e produtor de conteúdo com mais de nove anos de experiência em comunicação digital, produção editorial e jornalismo online.

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