Nos últimos anos, o medicamento Mounjaro ganhou destaque por sua capacidade de promover uma perda de peso significativa, principalmente por reduzir o apetite dos pacientes. Contudo, um novo estudo conduzido por pesquisadores do Centro Médico Universitário de Liubliana, na Eslovênia, aponta que os efeitos da substância podem ir além da simples diminuição da fome.
Conforme apresentado pelos especialistas nesta semana no congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos, em Chicago, a tirzepatida, que é o princípio ativo do remédio, pode mudar a forma como o corpo utiliza energia por conta de sua ação na chamada “gordura marrom”.
Presente em menores quantidades no corpo, o tecido adiposo possui alta atividade metabólica e atua na regulação térmica. E para cumprir sua função de produzir calor, ele acelera o metabolismo e promove uma queima acentuada de calorias.
De acordo com o que foi observado pelos cientistas, a tirzepatida aumentou significativamente a atividade e o volume da “gordura marrom”, calibrando o metabolismo diretamente nos tecidos e, com isso, fazendo o organismo queimar energia de forma muito mais eficiente.
Diante desses resultados, o medicamento abre um caminho promissor para futuras terapias para emagrecimento, que combinarão em um único tratamento, a regulação central do apetite com a ativação termogênica periférica.
“Gordura bege”: Mounjaro cria gordura metabolicamente mais ativa
Além de confirmar os efeitos do Mounjaro sobre o tecido adiposo marrom, o estudo esloveno também identificou o potencial do princípio ativo do medicamento de estimular a formação da chamada “gordura bege”, um tipo de tecido que surge a partir da conversão da gordura branca.
A gordura bege compartilha diversas características com a gordura marrom, já que também é metabolicamente mais ativa, produz calor e contribui para o gasto energético do organismo. A principal diferença entre elas está na forma como esse tecido se origina.
Embora a transformação da gordura branca em bege ocorra habitualmente por meio da exposição a baixas temperaturas, as novas evidências revelam uma quebra de paradigma, apontando para a capacidade da tirzepatida de induzir o processo de forma independente.





