Não é de hoje que existe um senso comum no qual aponta que o consumo excessivo de pão branco pode trazer malefícios para a saúde. Porém, agora, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) acendeu um alerta ainda maior sobre alimento. Isso porque os pesquisadores identificaram a presença de compostos potencialmente cancerígenos no item.
Vale destacar que os biscoitos e farinha de trigo também contam com as substâncias notadas, mas o pão branco apontado como um dos principais responsáveis pela exposição a esses compostos.
Publicado na revista científica Food Research International, o estudo analisou dezenas de produtos industrializados e detectou a presença de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), compostos reconhecidos internacionalmente pelo potencial carcinogênico.
O pão branco como grande vilão
Segundo os pesquisadores, o consumo frequente desse produto pode levar ao acúmulo gradual de pequenas quantidades dessas substâncias no organismo ao longo da vida. A pesquisadora responsável pelo estudo, Gloria Guizellini, em fala destacada pelo Metrópoles, alertou que, embora as concentrações sejam baixas, a ingestão contínua aumenta a exposição total. Esse efeito cumulativo é justamente o que preocupa a comunidade científica.
Compostos podem surgir durante o preparo do alimento
Os HPAs são formados principalmente durante processos de aquecimento em altas temperaturas, como assar ou fritar alimentos. No entanto, eles também podem surgir a partir da contaminação ambiental dos grãos utilizados na produção.
Essas substâncias são persistentes no ambiente e, ao serem ingeridas, podem ser absorvidas pelo organismo e transportadas pela corrente sanguínea até órgãos como fígado e intestino, onde podem provocar alterações celulares associadas ao desenvolvimento de câncer.
Resultados preocupam especialistas
A análise revelou que uma parcela significativa das amostras ultrapassou limites considerados seguros por parâmetros internacionais. No caso dos pães, cerca de 41% apresentaram níveis acima do recomendado, enquanto entre os biscoitos esse índice chegou a 81%.
O Brasil ainda não possui uma regulamentação específica para esses compostos, o que levou os pesquisadores a utilizarem referências da União Europeia como base para comparação.
Não é preciso eliminar, mas repensar o consumo
Apesar do alerta, os cientistas não recomendam a eliminação total desses alimentos da dieta. O foco está na moderação e na diversificação alimentar, além da adoção de métodos de preparo que reduzam a formação desses compostos.





