Um inseto incomum encontrado em floresta tropical tem chamado a atenção de cientistas por uma habilidade surpreendente: ele nasce com coloração rosa vibrante e, em apenas 11 dias, muda completamente para o verde — comportamento semelhante ao de um camaleão. A espécie, identificada como Arota festae, pode representar um dos exemplos mais rápidos de adaptação cromática já registrados em um único estágio de vida.
A descoberta ocorreu durante estudos conduzidos no Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, onde pesquisadores observaram uma fêmea inicialmente rosa que, em menos de duas semanas, passou a apresentar coloração totalmente verde. O fenômeno foi documentado em estudo publicado na revista Ecology.
Espécie rara surpreende ao trocar de cor rapidamente para se camuflar e escapar de predadores
Na prática, essa mudança tem uma função crucial para a sobrevivência. Quando jovem, o inseto apresenta o chamado eritrismo — uma condição genética que provoca pigmentação avermelhada ou rosada. Embora pareça uma desvantagem em meio à vegetação verde, essa cor pode coincidir com folhas jovens da floresta, que frequentemente têm tons rosados antes de amadurecer.
À medida que o inseto cresce e passa a se expor mais, a coloração muda rapidamente para o verde, permitindo camuflagem eficiente contra predadores, como aves. Esse processo é resultado de reações químicas internas que alteram os pigmentos do corpo conforme o desenvolvimento do animal.
Segundo especialistas, a velocidade da transformação indica uma forte pressão da seleção natural. Indivíduos que não conseguem realizar essa transição tendem a ser mais facilmente capturados, o que reforça a permanência da característica na espécie.
O caso também levanta novas hipóteses sobre evolução. Cientistas acreditam que a cor rosa pode não ser apenas uma anomalia genética, mas uma estratégia adaptativa alinhada ao ciclo das plantas tropicais, mostrando como pequenos organismos podem desenvolver soluções sofisticadas para sobreviver em ambientes altamente competitivos.





