Medicamentos populares para perda de peso, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, podem ter um efeito que vai além da balança. Um novo levantamento científico aponta que essas substâncias podem atuar em mecanismos ligados a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
A análise foi conduzida por pesquisadores da Universidade Anglia Ruskin e publicada na revista Molecular and Cellular Neuroscience. O trabalho revisou dezenas de estudos pré-clínicos — realizados em laboratório com células e animais — para investigar como medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 podem interferir nos processos biológicos do Alzheimer.
Estudos indicam possível ação no cérebro além da perda de peso
Esses remédios, usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, incluem substâncias como liraglutida e semaglutida. Segundo os pesquisadores, há sinais consistentes de que esses fármacos podem reduzir o acúmulo de proteínas associadas à doença, como beta-amiloide e tau, que se depositam no cérebro e estão ligadas à degeneração dos neurônios.
Entre os estudos analisados, a maioria apontou redução dessas proteínas, especialmente com o uso de moléculas mais antigas, como a liraglutida. Outros compostos também demonstraram efeitos positivos, embora ainda com menor volume de evidências disponíveis.
Além disso, os cientistas identificaram possíveis mecanismos de ação no cérebro, como diminuição da inflamação, melhora na resposta à insulina e alterações em enzimas envolvidas na formação dessas proteínas nocivas.
Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que os dados ainda são preliminares. Ensaios clínicos em humanos, etapa essencial para confirmar eficácia e segurança, ainda apresentam conclusões limitadas ou inconsistentes. Em alguns casos, não houve melhora cognitiva direta, embora tenham surgido sinais de proteção da atividade cerebral.
A expectativa agora é que novos estudos, mais amplos e focados em estágios iniciais da doença, ajudem a esclarecer se esses medicamentos podem, de fato, desempenhar um papel preventivo no Alzheimer.





