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Cientistas pedem para que nos preparemos para o impacto de uma doença pior que a Covid-19

Por Eduardo Sant’Anna
30/11/2025
Cientistas pedem para que nos preparemos para o impacto de uma doença pior que a Covid-19

Freepik/Reprodução

A crescente circulação do vírus da gripe aviária entre aves silvestres, aves domésticas e mamíferos reacendeu o alerta entre especialistas internacionais. Pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, avaliam que, caso o vírus sofra mutações que permitam a transmissão sustentada entre humanos, o impacto global pode ser ainda mais severo do que o causado pela Covid-19.

Atualmente, no entanto, as infecções humanas continuam raras e ocorrem, quase sempre, em pessoas que mantiveram contato direto com animais contaminados.

Risco de adaptação preocupa cientistas

A chefe do centro de infecções respiratórias do Instituto Pasteur, Marie-Anne Rameix-Welti, destaca que o ponto crítico é o potencial de adaptação do vírus H5 aos mamíferos.

Embora o vírus ainda não tenha desenvolvido capacidade de transmissão entre pessoas, o cenário recente é considerado preocupante. Centenas de milhões de aves foram abatidas em surtos ao redor do mundo, afetando cadeias de abastecimento e pressionando preços de alimentos.

Ausência de anticorpos pode agravar quadros

Um dos fatores que aumentam o temor entre especialistas é que a população mundial não possui anticorpos contra a variante H5. Enquanto versões sazonais dos vírus influenza, como H1 e H3, já circulam há anos, proporcionando algum grau de imunidade, o mesmo não acontece com a gripe aviária.

Marie-Anne ressalta ainda que os vírus influenza podem causar quadros severos mesmo em pessoas saudáveis, incluindo crianças, algo que difere do comportamento inicial da Covid-19.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase mil casos humanos de infecções por H5 foram registrados entre 2003 e 2025, com letalidade média de 48%, reflexo de ocorrências concentradas em pessoas expostas diretamente a aves infectadas.

Casos recentes aumentam vigilância

Neste mês, os Estados Unidos registraram o primeiro caso humano da variante H5N5, no estado de Washington. O paciente, que já tinha outras doenças, morreu dias depois. Apesar disso, especialistas afirmam que o risco de uma pandemia nesse momento ainda é baixo.

Ferramentas de resposta já estão prontas

Diferentemente do cenário vivido nos primeiros meses da Covid-19, os cientistas afirmam que hoje existem mecanismos de resposta muito mais avançados. Vacinas candidatas contra variantes do H5 já estão prontas, e tecnologias como as plataformas de RNA permitem produzir imunizantes de forma acelerada. Além disso, antivirais eficazes contra esse tipo de influenza já estão armazenados em estoques estratégicos.

O consenso entre os especialistas é claro, o momento exige vigilância contínua, mas sem alarmismo. O salto evolutivo necessário para que o vírus comece a circular entre humanos ainda não ocorreu.A prioridade, segundo os pesquisadores, é manter sistemas de monitoramento robustos, acompanhar mutações e garantir rapidez de resposta caso sinais de adaptação relevante apareçam.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Eduardo Sant’Anna

Eduardo Sant’Anna

Jornalista apaixonado por esportes. Experiência em redação, produção de textos e elaboração de pautas.

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