O avanço das mudanças climáticas está provocando um derretimento acelerado de geleiras e, consequentemente, um aumento significativo do nível do mar, segundo um novo estudo publicado pela revista npj Urban Sustainability. O cenário, alertam pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, pode colocar milhões de moradias e infraestruturas costeiras em risco, especialmente nas regiões do Sul Global.
A equipe analisou dados de satélite e registros históricos de inundações para mapear a vulnerabilidade de áreas costeiras na África, América Central e do Sul, e Sudeste Asiático. As projeções indicam que, caso as emissões de combustíveis fósseis continuem em ritmo elevado, o nível do mar poderá subir a ponto de ameaçar mais de 100 milhões de edifícios nessas regiões nas próximas décadas.
Estudos preocupantes
Segundo os cientistas, mesmo cenários moderados, com elevação de 0,5 metro, já seriam suficientes para inundar cerca de três milhões de construções. No pior dos cenários, com aumento de até 20 metros, boa parte da infraestrutura costeira atual poderia ser comprometida, incluindo moradias, estradas e sistemas de energia.
O estudo destaca que os efeitos não se limitam à submersão completa de edifícios. As marés mais altas e inundações frequentes devem deteriorar estruturas, afetar economias locais e deslocar comunidades inteiras.
“Mesmo nos cenários mais otimistas, o perigo já é inevitável”, alertam os autores. Para eles, os resultados devem servir de base para um planejamento urbano mais resiliente, incluindo a construção de barreiras de proteção, obras de contenção e novos modelos de ocupação territorial.
Os pesquisadores reforçam que reduzir rapidamente as emissões de carbono continua sendo a medida mais eficaz para conter a crise e evitar perdas humanas e econômicas irreversíveis.





