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Cientistas tentam recriar animais extintos há milhares de anos

Por Eduardo Sant’Anna
19/09/2025
Cientistas tentam recriar animais extintos há milhares de anos

Freepik/Reprodução

A ideia de trazer de volta espécies que desapareceram há séculos ou milênios já não pertence apenas ao campo da ficção científica. Projetos de desextinção vêm ganhando espaço em laboratórios ao redor do mundo, e, nesta semana, a empresa americana de biotecnologia Colossal Biosciences anunciou um feito inédito, o nascimento de três filhotes de lobo pré-histórico, espécie que desapareceu há aproximadamente 12.500 anos. O resultado foi descrito como o primeiro caso bem-sucedido de “ressurreição” de um animal extinto.

A equipe iniciou o processo extraindo DNA de fósseis do lobo-terrível, espécie temida no período do Pleistoceno. A partir da montagem dos genomas e da comparação com outros canídeos, como lobos, chacais e raposas, os cientistas identificaram variantes específicas. 

Essas informações foram aplicadas em células de lobo-cinzento, que passaram por clonagem e, posteriormente, foram transferidas para óvulos. O resultado: três filhotes geneticamente quase idênticos ao animal extinto.

Especialistas, contudo, lembram que os novos indivíduos não são uma réplica perfeita. “Eles são 99,9% equivalentes a um lobo, com algumas características morfológicas semelhantes ao lobo-terrível original”, explicou Raúl González Ittig, professor da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina, à CNN.

Outras espécies no radar da ciência

Além do lobo pré-histórico, outros animais também estão sendo estudados pela Colossal e por diferentes iniciativas internacionais:

  • Tilacino (lobo-da-Tasmânia): extinto em 1936, era um predador nativo da Austrália. Como seu habitat ainda existe, cientistas acreditam que uma eventual reintrodução poderia restaurar parte do equilíbrio ecológico da região.
  • Mamute-lanoso: desaparecido há cerca de 4 mil anos, está sendo recriado com base no DNA de fósseis e no genoma do elefante-asiático, seu parente mais próximo. Pesquisadores defendem que o retorno da espécie ajudaria a preservar a tundra ártica e retardar o degelo.
  • Dodô: ave símbolo da extinção causada pela ação humana, desapareceu em 1681 nas Ilhas Maurício. Seu papel era crucial na dispersão de sementes. A expectativa é que sua volta favoreça a recuperação das florestas locais.
  • Pombo-passageiro: já foi a ave mais numerosa do planeta, mas foi extinta em 1902. A ONG Revive & Restore trabalha em sua recriação para restabelecer sua função ecológica no leste dos Estados Unidos.
  • Touro semelhante ao auroque: na Europa, programas de retrocruzamento buscam recriar a aparência e a função ecológica do bovino extinto em 1627.
  • Bucardo (íbex-dos-pirenéus): Essa subespécie de cabra selvagem foi extinta em 2000, mas chegou a ser clonada em 2003. O filhote sobreviveu apenas sete minutos, tornando-se, ainda assim, o primeiro animal extinto a renascer em laboratório.

O futuro da desextinção

Apesar dos avanços, pesquisadores alertam para os dilemas éticos e ambientais. O retorno de espécies extintas pode ajudar a restaurar ecossistemas, mas também traz incertezas sobre o impacto em ambientes já transformados pela ação humana. Ainda assim, a ciência da desextinção segue avançando, transformando uma antiga fantasia em possibilidade real.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Eduardo Sant’Anna

Eduardo Sant’Anna

Jornalista apaixonado por esportes. Experiência em redação, produção de textos e elaboração de pautas.

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