A promessa de cirurgias mais precisas e seguras com o uso de inteligência artificial começa a ser colocada em xeque por relatos de falhas graves, processos judiciais e alertas regulatórios.
Em diferentes hospitais dos Estados Unidos, pacientes passaram a pagar um preço alto por erros ocorridos durante procedimentos que utilizaram sistemas médicos baseados em IA.
Explosão de dispositivos com IA preocupa reguladores
Em alguns casos analisados por autoridades de saúde, os danos foram severos. Um paciente teve vazamento de líquido cefalorraquidiano pelo nariz após uma cirurgia. Em outro, houve perfuração acidental da base do crânio.
Dois pacientes sofreram AVC depois de lesões em uma artéria principal e entraram com ações judiciais no Texas, alegando que a inteligência artificial do sistema TruDi contribuiu diretamente para os ferimentos.
Embora os relatórios da FDA (agência reguladora dos EUA) não apontem conclusões definitivas sobre a causa dos incidentes, eles revelam um cenário preocupante.
Atualmente, pelo menos 1.357 dispositivos médicos com algum tipo de inteligência artificial já foram autorizados — número que dobrou desde 2022. Uma análise citada pela Reuters mostra que 60 desses dispositivos estiveram ligados a 182 recalls, muitos deles menos de um ano após a aprovação.
Fabricantes, por sua vez, negam relação direta entre os sistemas e os danos. A Integra LifeSciences, dona do TruDi, afirma que não há evidências de falhas causadas pela IA. Outras empresas, como Medtronic e Samsung Medison, também reconhecem limitações técnicas, mas minimizam riscos aos pacientes.
Especialistas alertam que a velocidade de adoção da tecnologia supera a capacidade de fiscalização. Cientistas da própria FDA admitem dificuldades para acompanhar o avanço, agravadas por cortes de pessoal e sobrecarga de trabalho. Enquanto a IA avança dos centros cirúrgicos aos aplicativos de saúde, cresce a preocupação com quem assume a conta quando a tecnologia erra.





