O meteorologista Carlos Nobre reiterou seus alertas sobre os impactos do aquecimento global, especialmente no que se refere ao descongelamento acelerado dos solos do planeta. Caso a temperatura global ultrapasse os 2°C nas próximas décadas, ele aponta que as consequências para o meio ambiente serão irreversíveis, incluindo o colapso de ecossistemas essenciais como a Amazônia e a liberação massiva de gases do efeito estufa, o que ampliaria ainda mais o aquecimento.
Esses pontos estão alinhados com os objetivos do Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C.
Em entrevista ao programa “Roda Viva” na noite da última segunda-feira (13), Nobre destacou que os estudos científicos são claros ao afirmar que, caso não ocorra uma redução significativa das emissões de gases de efeito estufa, a temperatura global pode ultrapassar os 2°C até 2050.
Alguns estudos indicam que esse aumento pode chegar até 2,5°C, o que resultaria na perda de até 70% da Amazônia até o final do século.
Degelo do permafrost
Um dos principais processos em andamento, segundo o cientista, é o degelo do permafrost, o solo permanentemente congelado encontrado em áreas como Sibéria, norte do Canadá e Alasca. Esse fenômeno, que já está em curso, libera grandes quantidades de metano, um gás que é 30 vezes mais potente que o dióxido de carbono na retenção de calor na atmosfera.
Nobre alertou que, se a temperatura atingir 2°C até 2100, mais de 200 bilhões de toneladas de gases do solo congelado poderão ser liberadas, exacerbando ainda mais os efeitos do aquecimento global.
Além disso, o aumento da temperatura global deve acarretar a extinção em massa de diversas espécies e o colapso de ecossistemas marinhos, incluindo a morte dos recifes de corais, uma situação que já está em andamento com várias extinções sendo registradas ao redor do mundo.
Nobre também traçou um cenário bastante preocupante para o final deste século, alertando que, se as emissões não forem drasticamente reduzidas, o planeta pode enfrentar um aumento de até 3 ou 4°C até 2100. “O planeta vai ficar inabitável para nós humanos em 2100”, alertou.





