Um exemplar raro e impressionante chamou a atenção de pesquisadores em Blumenau. Um cogumelo com 75 centímetros de diâmetro foi encontrado no Horto Botânico Edith Gaertner, no Centro Histórico da cidade, e pode ser um dos maiores do mundo já registrados.
O fungo foi localizado em uma trilha próxima à área conhecida como Cemitério dos Gatos, durante trabalhos de catalogação realizados por equipes das secretarias municipais do Meio Ambiente e da Cultura.
Espécie rara e pouco compreendida
O cogumelo foi identificado como Kusaghiporia talpae, espécie que pertence à família Laetiporaceae. Ele se desenvolve sobre troncos, galhos ou madeira morta, contribuindo para a degradação da lignina e da celulose papel fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas.
Segundo especialistas, a biologia da espécie ainda não é completamente compreendida. O fungo apresenta uma particularidade: pode se desenvolver na raiz de plantas, o que dificulta a identificação precisa das espécies vegetais às quais está associado.
Tamanho e longevidade surpreendem
Além do tamanho impressionante quase o dobro de registros anteriores, outro fator chamou a atenção dos pesquisadores: o tempo de permanência.
Normalmente, a espécie surge entre janeiro e fevereiro e permanece visível por cerca de três semanas. No entanto, o exemplar encontrado em Blumenau já possui aproximadamente três meses de existência, algo considerado incomum.
Para comparação, um registro anterior da mesma espécie, encontrado em Joinville há cerca de 15 anos, apresentava cerca de 38 centímetros de diâmetro, praticamente metade do tamanho atual.
Importância ambiental
Especialistas destacam que fungos como esse desempenham funções essenciais na natureza. Eles atuam como decompositores e reciclam nutrientes importantes como carbono, nitrogênio e fósforo.
Além disso, muitos formam associações simbióticas com raízes de plantas, chamadas micorrizas que aumentam a absorção de água e nutrientes, fortalecendo a vegetação.
O surgimento de um exemplar tão raro reforça a importância da pesquisa científica e da preservação ambiental. O projeto em andamento no Horto Botânico também prevê a identificação de outras espécies raras da fauna e flora local, além da criação de protocolos de conservação da área verde.
O achado não apenas impressiona pelo tamanho, mas também abre novas possibilidades para estudos sobre longevidade e desenvolvimento de fungos de grande porte.





