Um território de apenas 100 mil metros quadrados, equivalente a cerca de 14 campos de futebol, pode dar origem ao menor país do mundo. A proposta, apresentada em 2024 pelo primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, prevê a criação de um Estado soberano dentro de Tirana, capital do país, com características únicas.
Caso seja aprovada pelo Parlamento, a iniciativa resultará em um país menor que o Vaticano, que atualmente ocupa cerca de 440 mil m². O novo território funcionaria como um enclave independente, com administração própria, emissão de passaportes e delimitação de fronteiras, mesmo estando inserido em uma área urbana consolidada.
País será usado para liderar religião ligada ao islamismo
O espaço destinado ao projeto pertence à Ordem Bektashi, uma vertente sufista do islamismo conhecida por adotar práticas mais flexíveis e inclusivas.
A ideia é que o local funcione como um centro espiritual global, sem estruturas tradicionais de poder. Segundo Rama, o microestado seria “sem muros, sem polícia, sem exército e sem impostos”, reforçando seu caráter simbólico e puramente espiritual para a prática do bektashismo.
A liderança do território deve ficar com Edmond Brahimaj, conhecido como Baba Mondi, que defende uma visão moderada da religião islã, com liberdade de costumes e ausência das restrições rígidas da religião em sua forma mais tradicional.
Apesar da proposta inovadora, o plano enfrenta resistência dentro do próprio país. Especialistas e lideranças religiosas alertam para possíveis impactos no equilíbrio entre as diferentes crenças na Albânia e questionam a necessidade da criação de um novo Estado. Também há preocupação com a forma como a iniciativa pode ser interpretada internacionalmente.
Em março de 2026, o projeto segue em fase de elaboração legislativa, sem votação concluída, e permanece como um dos debates mais sensíveis da política albanesa recente.





