O colapso de uma empresa ligada a um dos maiores projetos industriais do país expôs um rombo bilionário e deixou trabalhadores e fornecedores sem receber.
A Posco Engenharia e Construção do Brasil, braço do conglomerado sul-coreano Posco, entrou com pedido de autofalência e admitiu à Justiça que não tem recursos para quitar as dívidas acumuladas. O caso foi exposto pelo UOL.
Falência da Posco: dívidas, controvérsias e suspeitas
A queda da companhia causou impacto no setor industrial. A Posco foi responsável pela construção da usina da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará, considerada um marco da siderurgia nacional. O contrato da obra foi estimado em US$ 5,5 bilhões e, mesmo após a conclusão, parte dos compromissos financeiros permaneceu em aberto.
Nos bastidores, calcula-se que o passivo total possa chegar a R$ 1 bilhão, atingindo empresas terceirizadas e ex-funcionários. O problema persistiu mesmo após a mudança de controle da CSP, vendida em 2023 para a ArcelorMittal por US$ 2,2 bilhões. As dívidas não acompanharam a transação.
No pedido de autofalência, a empresa afirmou viver uma “crise insanável” e descartou qualquer possibilidade de recuperação judicial. O processo concentra todas as cobranças em um único juízo, o que pode prolongar a espera dos credores.
Documentos indicam dívidas reconhecidas de R$ 644 milhões, sendo R$ 573,5 milhões em ações trabalhistas, R$ 33,7 milhões em tributos, R$ 26,6 milhões em débitos intercompany e R$ 10,4 milhões em dívidas quirografárias. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional estima valores maiores.
O ponto mais sensível é o patrimônio declarado: um terreno de R$ 1,1 milhão, um carro sem funcionamento, R$ 109,80 em conta-corrente e cerca de R$ 4,8 mil em investimentos. Credores suspeitam de esvaziamento patrimonial. Uma decisão judicial já permitiu ampliar o alcance das cobranças. Enquanto isso, trabalhadores e fornecedores aguardam definições judiciais, em um processo que deve se arrastar.





