O Congresso do Peru voltou a redesenhar o tabuleiro político do país ao eleger, na noite de quarta-feira (18), José María Balcázar Zelada, do partido Peru Livre (esquerda), como presidente interino. Aos 83 anos, Balcázar assume o cargo apenas um dia após a destituição de José Jeri, que ocupava a Presidência havia cerca de quatro meses.
A escolha ocorreu depois de uma votação interna no Legislativo, já que o então presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, recusou-se a assumir a chefia do Executivo, apesar de estar na linha constitucional de sucessão. Diante do impasse, os parlamentares elegeram um novo comandante do Congresso, que automaticamente passou a ocupar a Presidência da República em caráter provisório.
Congresso troca comando e Peru entra em nova transição política
Balcázar venceu a deputada María del Carmen Alva no segundo turno da disputa, após uma primeira rodada sem maioria absoluta. Outros dois congressistas também concorreram, mas ficaram pelo caminho. O novo presidente interino deverá permanecer no cargo até 28 de julho, conduzindo o país durante mais um período de transição.
Em seu discurso de posse, Balcázar afirmou que pretende defender a soberania nacional e garantir a independência das instituições democráticas. A fala breve ocorreu durante uma cerimônia discreta, reflexo do clima de instabilidade política que se tornou frequente no país andino.
A queda de Jeri foi motivada por uma moção de censura aprovada pela maioria simples do Congresso, em meio a denúncias de reuniões não divulgadas com empresários chineses — episódio que ganhou repercussão nacional. Ele havia assumido após a destituição de Dina Boluarte, em outubro de 2025.
Com sucessivas trocas no comando do Executivo, o Peru chegará novamente às urnas em 12 de abril, quando a população elegerá um novo presidente. Um eventual segundo turno está previsto para junho, prolongando um ciclo de incertezas que já se arrasta há quase uma década.





