Depois de meses de queda nas vendas e pressão do mercado, a Heineken confirmou o encerramento de um ciclo.
O atual CEO, Dolf van den Brink, deixará o comando da companhia no dia 31 de maio. A saída acontece em meio a uma crise que abalou ações, receitas e a confiança de investidores. O executivo estava no cargo desde 2020, quando assumiu em plena pandemia.
Crise, números no vermelho e corrida por um sucessor
A renúncia foi anunciada nesta segunda-feira (12/1) e pegou o mercado de surpresa. Logo após a confirmação, o Conselho de Administração da Heineken informou que iniciará uma busca por um novo líder para tentar estancar a sangria. A empresa tem cerca de quatro meses para definir quem ficará à frente do grupo.
Os números ajudam a explicar o clima de tensão. Entre julho e setembro de 2025, a companhia registrou queda global de 4,3% na comercialização de seus produtos, em meio a incertezas econômicas, inflação persistente e retração do consumo. No Brasil, a situação foi ainda mais crítica: as vendas despencaram em dois dígitos, segundo a própria empresa.
Em comunicado, Van den Brink reconheceu o cenário difícil. “A volatilidade macroeconômica aumentou e criou um ambiente desafiador. Nas Américas, o mercado de cerveja está realmente enfraquecendo”, afirmou. O impacto também apareceu no caixa: as receitas caíram 1,4% no terceiro trimestre, somando 8,7 bilhões de euros, enquanto a receita líquida recuou 0,3%.
O volume de vendas nas Américas encolheu 7,4%, reflexo de um consumidor mais cauteloso e de incertezas comerciais, principalmente nos Estados Unidos. Parte dessas perdas foi amenizada por crescimento em regiões como África, Oriente Médio e mercados asiáticos.
No mercado financeiro, o baque foi imediato. As ações da Heineken caíram forte em Amsterdã e Nova York, alimentando rumores, especulações e a pressão por uma reviravolta no comando da empresa.





