Alterações simples na forma de falar podem revelar muito mais do que distração ou cansaço. Pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e do Canadá vêm identificando padrões de linguagem que podem indicar sinais iniciais de demência e Alzheimer anos antes do diagnóstico clínico.
Estudos recentes apontam que o uso frequente de palavras como “coisa”, “negócio”, “aquilo”, além de pausas longas com interjeições de pensamentos como “aahmm” ou “eeeh”, repetições constantes e dificuldade para concluir frases, pode estar relacionado ao declínio cognitivo. A descoberta tem chamado atenção de neurologistas e especialistas em envelhecimento.
Mudanças na fala podem surgir antes da perda de memória
Uma pesquisa publicada na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy, liderada por pesquisadores da Universidade de Toronto, analisou alterações na linguagem de pessoas com comprometimento cognitivo leve e Alzheimer. O estudo concluiu que dificuldades na fluência verbal e na escolha das palavras aparecem nos estágios iniciais da doença.
Já cientistas do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, observaram que pacientes com déficit cognitivo leve costumavam usar frases mais longas, confusas e com excesso de palavras para expressar ideias simples.
Segundo especialistas, isso acontece porque a linguagem depende de várias áreas do cérebro funcionando ao mesmo tempo. Quando há perda gradual dessas conexões, o cérebro leva mais tempo para organizar pensamentos e recuperar palavras.
Outro estudo da Universidade de Boston mostrou que sistemas de inteligência artificial conseguem identificar sinais precoces de Alzheimer apenas analisando padrões da fala, com taxa de acerto superior a 78%.
Os médicos alertam, porém, que esquecer palavras ocasionalmente é normal. O sinal de atenção aparece quando essas mudanças se tornam frequentes, progressivas e passam a afetar conversas do dia a dia.
Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação médica precoce. O diagnóstico antecipado pode ajudar no tratamento, no controle dos sintomas e na qualidade de vida do paciente.





