O que começou como um galpão de 250 m² e apenas quatro máquinas de costura tornou-se, quase quatro décadas depois, um dos maiores grupos têxteis do país.
A trajetória de Gilmar Rogério Sprung, empreendedor de Pomerode, impressiona pela perseverança e pela velocidade com que um sonho juvenil virou um império industrial que hoje emprega mais de 950 pessoas e distribui milhões de peças de roupa em todo o Brasil.
De ajudante de borracheiro a fundador de um grupo bilionário
Gilmar sempre trabalhou. Aos 9 anos, dividia o dia entre a escola e as tarefas na borracharia onde o pai tinha participação: limpava banheiros, calibrava pneus, costurava sacos de milho.
Aos 14, virou office boy em um escritório de contabilidade e, antes dos 20, já era chefe. Paralelamente, aos 17, abriu sua primeira empresa — uma pequena agência de turismo — e, mais tarde, comprou uma lanchonete. Foi justamente esse negócio que despertou o empurrão decisivo: um amigo do ramo têxtil o provocou, dizendo que ele precisava abrir “uma empresa de verdade”.
A reação veio rápido. Gilmar vendeu a lanchonete, organizou a saída do escritório e estruturou sua própria confecção. Em 1º de setembro de 1988, nascia a Cativa Têxtil, em Pomerode. Dois anos depois, a pequena confecção ganhou sede própria.
A expansão se tornaria uma constante: vieram novas unidades em Rio dos Cedros (1993), Apiúna (1995) e Campo Grande (2008). Hoje, o grupo reúne várias marcas — entre elas Cativa, Gris, Exco e Habana — e tem 85% do faturamento concentrado na moda feminina.
Mesmo com o porte industrial, a empresa insiste em manter o foco no fator humano. Colaboradores com longas trajetórias recebem o título de “estrelas”, têm fotos exibidas na sede e as mãos eternizadas na chamada “parede da fama”. Para muitos, como Márcio André Erbs, funcionário há 25 anos, a fábrica se tornou mais que um emprego: “Tudo o que conquistei foi com a ajuda da empresa”, afirma.
A competitividade do mercado têxtil, marcada pela informalidade e pela força das importações chinesas, não intimida o grupo. Pela visão da diretora comercial, Cátia Maria Sprung, o segredo continua o mesmo: produzir com qualidade e desejo. Para Gilmar, a essência também não mudou. “O que me move ainda é a vontade de trabalhar”, resume quem transformou quatro máquinas em um dos maiores polos têxteis do país.





