Emprestar o cartão de crédito para um parente de confiança pode parecer inofensivo, mas esse hábito comum está chamando a atenção da Receita Federal e pode virar dor de cabeça.
Com o reforço da fiscalização sobre movimentações financeiras, gastos elevados no cartão, incompatíveis com a renda declarada, podem colocar o contribuinte direto na malha fina.
Cartão de crédito: Receita cruza dados e mira gastos fora do padrão
A partir deste ano, mais instituições financeiras passaram a informar à Receita dados detalhados sobre transações realizadas por pessoas físicas e empresas. Além dos bancos tradicionais, entram no radar operadoras de cartão, maquininhas, carteiras digitais e instituições de pagamento. O objetivo é cruzar os valores movimentados com o que foi declarado no Imposto de Renda.
Na prática, se uma pessoa declara renda mensal de R$ 4 mil, mas paga faturas de R$ 8 mil, o Fisco pode suspeitar de omissão de rendimentos. Segundo especialistas, quando o cartão é usado por terceiros, como filhos, pais ou netos, a origem do dinheiro precisa ser explicada, seja como doação, empréstimo ou rendimento do dependente.
Caso o cartão seja emprestado a alguém que conste como dependente na declaração, como filhos estudantes de até 24 anos, eventuais rendimentos dessa pessoa também devem aparecer no Imposto de Renda. Assim, a soma das rendas ajuda a justificar os gastos realizados.
Economistas alertam que o empréstimo de cartão é uma das principais causas de endividamento entre idosos, especialmente quando familiares com nome negativado usam o crédito. Em situações de despesas compartilhadas, como aluguel dividido entre amigos, a recomendação é formalizar acordos e guardar comprovantes.
Desde a mudança, as instituições devem informar movimentações acima de R$ 5 mil mensais para pessoas físicas. A Receita afirma que não há aumento de imposto, mas o cerco à inconsistência financeira ficou mais apertado. Atenção evita multas e transtornos.





