Enquanto no Brasil milhões de motoristas ainda enfrentam filas, provas e altos custos para conquistar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), a China acelera em outra direção: veículos capazes de tomar decisões praticamente sozinhos no trânsito urbano já circulam em testes avançados pelas ruas do país.
A tecnologia, chamada NOA — sigla para “navegação em piloto automático” — vem sendo adotada por montadoras chinesas e chamou atenção após demonstrações realizadas em cidades como Pequim, Xangai e Shenzhen. O sistema combina inteligência artificial, mapas detalhados, internet 5G e sensores de última geração para permitir que o carro freie, acelere, faça curvas e troque de faixa quase sem interferência humana.
Sensores, internet e inteligência artificial comandam a direção
Durante testes urbanos realizados por um repórter do g1 na cidade de Baoding, a cerca de 180 quilômetros de Pequim, o veículo conseguiu realizar manobras complexas sozinho, incluindo desvios de obstáculos, ultrapassagens e frenagens diante de pedestres e motocicletas.
Apesar do avanço, os carros ainda não são totalmente autônomos. A legislação chinesa exige que o motorista permaneça atento e mantenha as mãos no volante durante todo o trajeto.
Os veículos utilizam uma combinação de radares, câmeras, sensores a laser (LiDAR) e conexão permanente com mapas inteligentes integrados ao sistema chinês Beidou, alternativa local ao GPS tradicional.
Nas telas internas, o carro exibe uma representação tridimensional da via, identificando em tempo real carros, ônibus, motos, bicicletas e até pedestres ao redor. O sistema também reconhece semáforos, faixas exclusivas e radares de trânsito, ajudando o veículo a tomar decisões automaticamente.
Especialistas apontam que o avanço chinês coloca pressão sobre montadoras do mundo inteiro na corrida pela direção semiautônoma. Embora ainda dependa de supervisão humana, a tecnologia aproxima o país de um futuro em que dirigir poderá deixar de ser uma obrigação diária.





