Mesmo após ser preso preventivamente nesta terça-feira (16), o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto aparece como beneficiário de uma remuneração superior a R$ 125 mil paga pelo governo.
O valor, segundo o Portal da Transparência da Justiça Federal, refere-se ao salário de novembro e foi creditado antes do cumprimento do mandado de prisão, o que explica o pagamento mesmo diante da detenção.
Pagamento elevado expõe brechas e reacende debate sobre controle institucional
Os dados oficiais mostram que Macário recebeu R$ 90.187,61 de salário-base, além de gratificações e indenizações que somaram mais de R$ 35 mil. O montante voltou ao centro do debate público após a prisão do magistrado durante a segunda fase da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas ligadas à Operação Zargun.
Macário foi preso em casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com apuração do g1, ele foi o desembargador responsável por autorizar, em setembro, a prisão do então deputado estadual TH Joias, um dos alvos da investigação. A Polícia Federal apura se o magistrado teria repassado detalhes da ação antes do cumprimento das ordens judiciais.
Informações divulgadas pelo blog do jornalista Octavio Guedes indicam que a PF trabalha com a hipótese de que o desembargador estava em um restaurante com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, quando este teria telefonado para TH Joias alertando sobre a operação.
O histórico funcional de Macário inclui outros episódios controversos. Em 2005, o Superior Tribunal de Justiça abriu um processo criminal para apurar suspeitas de participação em um esquema de fraudes em sentenças judiciais, o que resultou em seu afastamento. Anos depois, o TRF-2 chegou a decretar sua aposentadoria compulsória, decisão posteriormente revertida pelo Conselho Nacional de Justiça.
A defesa afirma que a prisão foi determinada com base em informações equivocadas.




