Durante décadas, a Daslu foi sinônimo de ostentação e exclusividade em São Paulo. Fundada nos anos 1950 por Lúcia Piva de Albuquerque e Lourdes Aranha, começou como uma butique voltada à elite paulistana.
O auge do luxo
Nos anos 1990, sob a gestão da empresária Eliana Tranchesi, a Daslu se transformou em um verdadeiro templo do consumo de luxo. Em 2005, foi inaugurada a Villa Daslu, um prédio suntuoso na Vila Olímpia com 17 mil metros quadrados e mais de 60 grifes internacionais reunidas. Como um dos espaços mais luxuosos da América Latina, atraía milionários, celebridades e até políticos estrangeiros.
O escândalo que abalou a imagem
O brilho, porém, durou pouco. Poucos dias após a inauguração da Villa, a loja foi alvo da Operação Narciso, da Receita Federal e da Polícia Federal, que investigavam fraudes milionárias em importações. Eliana Tranchesi e outros executivos foram acusados de subfaturar mercadorias vindas do exterior para pagar menos impostos.
Em 2009, Eliana foi condenada a 94 anos de prisão, embora tenha respondido em liberdade enquanto recorria. O episódio abalou a imagem da marca, afastou clientes e mergulhou a empresa em uma crise sem precedentes.
A queda definitiva
Com dívidas crescentes, a Daslu entrou em recuperação judicial em 2009 e, dois anos depois, teve parte de seus ativos leiloados. Em 2014, foi adquirida pela Laep Investments, mas não conseguiu retomar o prestígio. Em 2016, as lojas físicas fecharam as portas definitivamente.
Eliana morreu em 2012, vítima de câncer no pulmão, e seu irmão, Antônio Tranchesi, também investigado, se afastou do varejo. A derrocada da Daslu mostrou que até marcas voltadas à elite podem ruir diante de má gestão, problemas judiciais e mudanças no comportamento do consumidor.
O símbolo de uma era
A história da Daslu se tornou um símbolo do mercado de luxo no Brasil. Se nos anos 1990 o consumo ostentatório era sinal de status, a década seguinte marcou uma transição para experiências digitais e novos formatos de exclusividade.
O fim da Daslu representou também o fim da elite reunida em espaços fechados, distantes da realidade da maioria dos brasileiros. Hoje, a lembrança da marca retrata o auge e a queda de uma São Paulo que já foi sinônimo de glamour.





