Fazer amigos no trabalho ainda é visto por muita gente como falta de profissionalismo ou até mesmo motivo de desconfiança já que o ambiente de trabalho é encarado como competitivo e, consequentemente, local de falsas amizades.
Mas a “amizade do trabalho” foi o foco de uma análise acadêmica de longo prazo e, surpreendentemente, o resultado apontou exatamente o contrário do que muitos pensam sobre esse tipo de coleguismo.
O que muda quando amizade e trabalho se misturam
O estudo, conduzido pelo professor Paul Ingram, da Columbia Business School, e publicado na Harvard Business Review, investigou como relações pessoais impactam o desempenho profissional. A conclusão é direta: quem constrói amizades no ambiente corporativo tende a ir mais longe na carreira.
Em um experimento com cerca de 1.500 executivos, os participantes foram convidados a desenhar dois círculos: um representando “amigos” e outro, sua “rede profissional”. O resultado revelou um padrão curioso. Aqueles que apresentavam maior sobreposição entre os dois grupos — ou seja, que viam colegas também como amigos — tinham redes mais amplas, maior satisfação no trabalho e rendimentos mais altos.
Segundo Ingram, isso acontece porque a amizade facilita a troca de informações, acelera o aprendizado e fortalece a confiança. Em um ambiente onde decisões rápidas e colaboração são essenciais, esses fatores fazem diferença direta no desempenho.
O estudo também derruba um mito comum: o de que misturar vida pessoal e profissional gera desgaste emocional. Na prática, os dados mostram o oposto. Profissionais que adotam uma visão mais “integrada” — ou seja, que não separam rigidamente essas duas esferas — relatam mais bem-estar, segurança psicológica e conexão com o trabalho.
Outro ponto relevante é como essas relações começam. Interesses em comum, valores compartilhados e até afinidades fora do expediente costumam ser o ponto de partida. Com o tempo, a parceria profissional sustenta o vínculo.





