Com a chegada do inverno, bebidas quentes e reconfortantes passam a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Chocolate quente, gemada, cafés doces, lattes especiais e até o tradicional vinho quente ganham espaço em casa e em encontros familiares. No entanto, especialistas em nutrição e saúde óssea fazem um alerta: o consumo excessivo dessas bebidas pode prejudicar a saúde dos ossos, sobretudo entre pessoas com mais de 65 anos.
Açúcar em excesso afeta o cálcio do organismo
De acordo com nutricionistas, o principal vilão dessas bebidas é o alto teor de açúcar. Quando ingerido em grandes quantidades, o açúcar aumenta a excreção de cálcio pela urina, reduzindo a quantidade disponível no organismo para manter a densidade e a resistência óssea.
Além disso, picos frequentes de glicose no sangue podem interferir na ação da vitamina D, nutriente essencial para a absorção adequada do cálcio. Com isso, mesmo pessoas que consomem alimentos ricos nesse mineral podem ter prejuízos na saúde dos ossos.
Inflamação silenciosa e fragilidade óssea
Outro ponto de atenção é a inflamação crônica de baixo grau causada por dietas ricas em açúcar. Especialistas explicam que esse tipo de inflamação compromete a remodelação óssea, processo contínuo que garante a renovação e a força dos ossos ao longo da vida.
Cirurgiões ortopédicos reforçam que padrões alimentares com excesso de açúcar estão associados a maior fragilidade óssea, aumentando o risco de quedas e fraturas, principalmente em idosos.
Nem todas as bebidas têm o mesmo impacto
Os efeitos variam conforme a composição da bebida. O chocolate quente feito com leite, por exemplo, fornece cálcio, o que pode amenizar parcialmente os impactos negativos do açúcar. Ainda assim, especialistas alertam que versões industrializadas podem conter entre 20 e 30 gramas de açúcar por porção.
A gemada é considerada uma das opções mais preocupantes, pois combina grandes quantidades de açúcar com gorduras saturadas, elevando o valor calórico e os riscos à saúde. Já o vinho quente e a cidra, além do açúcar, contêm álcool, substância que dificulta a absorção de cálcio pelo organismo.
No caso das bebidas sazonais à base de café, como lattes doces e versões especiais de inverno, algumas fórmulas podem ultrapassar 50 gramas de açúcar em uma única porção, o equivalente a mais de dez colheres de chá.
Idosos estão entre os mais vulneráveis
Após os 65 anos, a perda natural de massa óssea se intensifica, tornando o esqueleto mais sensível a desequilíbrios nutricionais. Por isso, especialistas alertam que o exagero no consumo dessas bebidas pode ser especialmente prejudicial para idosos e para pessoas que já apresentam deficiência de cálcio ou vitamina D.
Moderação é a principal recomendação
Os profissionais são unânimes ao afirmar que o consumo ocasional não representa um grande risco para pessoas saudáveis. O problema surge quando essas bebidas passam a fazer parte da rotina diária.
A orientação é optar por versões com menos açúcar, preparar as bebidas em casa sempre que possível e manter uma alimentação equilibrada, rica em cálcio, vitamina D e proteínas. Assim, é possível aproveitar o inverno sem comprometer a saúde dos ossos.





