O Brasil abriga laboratórios capazes de armazenar e estudar alguns dos vírus mais letais conhecidos pela ciência — e isso voltou ao debate após um caso investigado na Unicamp envolvendo o suposto desvio de amostras. O episódio acendeu um alerta sobre como funcionam essas estruturas e quais são os mecanismos de segurança adotados no país.
Esses laboratórios são classificados por níveis de biossegurança, que vão de NB-1 a NB-4. Quanto maior o número, maior o risco do agente biológico manipulado e mais rigorosas são as exigências. No Brasil, unidades NB-3 representam o nível mais elevado atualmente em operação, sendo projetadas para lidar com vírus transmitidos pelo ar e potencialmente letais.
Estruturas de alta segurança guardam patógenos perigosos sob rígido controle
Nesses ambientes, tudo é controlado: o acesso é restrito, profissionais utilizam equipamentos de proteção completos e o ar circula sob pressão negativa, impedindo que partículas contaminadas escapem. Materiais passam por esterilização em altas temperaturas e são armazenados em ultrafreezers que atingem temperaturas inferiores a -80°C.
Apesar do alto padrão técnico, não existe um único órgão responsável pela supervisão desses espaços no país. A regulação é dividida entre diferentes instituições, como autoridades de saúde, agricultura e biossegurança, o que torna o sistema mais fragmentado.
O cenário deve mudar com a construção do primeiro laboratório NB-4 da América Latina, em Campinas. Esse tipo de instalação é destinado a agentes extremamente perigosos, como Ebola e Marburg, para os quais não há tratamento eficaz. Com estrutura totalmente isolada, filtros ultrafinos e protocolos ainda mais rígidos, esses centros são considerados essenciais para a segurança sanitária.
Além da proteção, especialistas apontam outro fator: soberania científica. Sem esse tipo de infraestrutura, o Brasil depende de laboratórios no exterior para estudar vírus descobertos no próprio território, o que limita respostas rápidas a futuras ameaças.





