O que antes era apenas uma previsão ambiciosa agora começa a se tornar realidade. A Petrobras recebeu autorização do Ibama para iniciar a perfuração exploratória de petróleo na Margem Equatorial, uma extensa faixa marítima localizada no norte do país, próxima à costa do Amapá, área apontada por especialistas como o “novo pré-sal” brasileiro.
A licença ambiental, emitida nesta segunda-feira (20), permite que a estatal comece imediatamente os trabalhos de exploração no bloco FZA-M-059, em águas profundas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A fase inicial da perfuração deve durar aproximadamente cinco meses, tempo em que a empresa vai coletar dados geológicos para avaliar o potencial petrolífero da região.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, celebrou a conquista e afirmou que o início da operação representa “uma vitória da sociedade brasileira”. Segundo ela, o licenciamento reflete “o compromisso das instituições com o desenvolvimento nacional aliado à responsabilidade ambiental”.
Processo de autorização
O processo foi longo, cinco anos de estudos e negociações com diferentes esferas do governo e órgãos ambientais. A nova autorização vem após a reprovação inicial, em 2023, quando o Ibama apontou falhas no plano de emergência da estatal. Desde então, a Petrobras aprimorou significativamente sua estrutura de segurança, incluindo a instalação de um novo centro de atendimento à fauna em Oiapoque (AP), além do já existente em Belém.
De acordo com o Ibama, a decisão de liberar a perfuração ocorreu após um “rigoroso processo de licenciamento ambiental”, com elaboração de estudos de impacto, audiências públicas e inspeções nas unidades marítimas. A expectativa é de que, durante as perfurações, novas simulações de emergência sejam realizadas para testar a resposta da empresa em caso de acidentes.
A Margem Equatorial se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá e tem atraído o olhar de investidores internacionais devido às descobertas de petróleo feitas em países vizinhos, como Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que a Bacia da Foz do Amazonas pode conter até 10 bilhões de barris de petróleo, o que colocaria o Brasil entre as maiores reservas do planeta.
Para se ter uma ideia da dimensão, o país atualmente conta com 66 bilhões de barris somando todas as suas reservas provadas, prováveis e possíveis. Se confirmado o potencial da nova região, o impacto econômico seria gigantesco, especialmente para o Amapá, que pode se transformar em um dos estados mais ricos do país.
Amapá como potência
A previsão não é nova. Em 2024, o cientista e divulgador Sérgio Sacani afirmou que, se o Brasil avançasse na exploração do Amapá, o estado “poderia se tornar o mais rico do país em menos de uma década”. Na época, ele estimava que isso só aconteceria a partir de 2027, mas os recentes avanços da Petrobras adiantaram o cronograma.
Ainda que ambientalistas mantenham fortes críticas ao projeto, citando riscos à fauna e possíveis impactos à foz do Amazonas, a estatal garante que todas as operações serão conduzidas com segurança e respeito ambiental.
Se as projeções se confirmarem, a exploração da Margem Equatorial poderá mudar completamente o mapa econômico do Brasil, transformando o Amapá em um novo polo de riqueza nacional, capaz, inclusive, de desbancar São Paulo na liderança econômica do país em poucos anos.





