Enquanto no Brasil a picanha reina absoluta nas churrasqueiras, na Europa o gosto é bem diferente.
Dados do comércio internacional mostram que os cortes mais valorizados da carne bovina brasileira pela União Europeia não são os nobres, mas sim peças tradicionalmente usadas no dia a dia e na indústria alimentícia. Com o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, esse interesse tende a crescer ainda mais.
Quais são os cortes brasileiros preferidos pelos europeus
Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil exportou 117 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, movimentando US$ 955 milhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). O bloco europeu é hoje o 4º maior mercado em valor para a carne brasileira, mesmo representando apenas 3,7% do volume total exportado.
Os cortes mais demandados são:
- Acém – Versátil e com bom equilíbrio entre carne e gordura, é muito utilizado em ensopados, hambúrgueres e pratos de cocção lenta, comuns em países como Alemanha e Holanda.
- Paleta – Bastante valorizada para receitas tradicionais e produtos processados, como carnes desfiadas e embutidos.
- Peito (brisket) – Fundamental na indústria europeia, especialmente para cozimentos longos, caldos e carnes curadas.
Esses cortes fazem parte do chamado “dianteiro do boi”, menos valorizado no mercado interno brasileiro, mas altamente estratégico para exportação.
Com a assinatura do acordo prevista para o dia 20, o Brasil poderá exportar mais 67 mil toneladas de carne bovina ao bloco europeu. A Comissão Europeia, no entanto, aprovou salvaguardas mais rígidas para proteger produtores locais, incluindo a possibilidade de reintroduzir tarifas se houver desequilíbrio de mercado.
Ainda assim, a demanda segue firme. Para a Europa, o atrativo está no custo competitivo, regularidade de fornecimento e variedade de cortes — mesmo que a famosa picanha fique, mais uma vez, fora do prato.





