Antes de se tornar referência em recuperação esportiva, Nick Littlehales era representante de uma fábrica de colchões. A paixão pelo sono e pelos efeitos do descanso na saúde transformou uma atividade comercial em carreira no futebol de alto rendimento.
A mudança começou no início dos anos 1990, quando ele conheceu Sir Alex Ferguson, técnico do Manchester United. O treinador escocês buscava aperfeiçoar cada detalhe da rotina dos atletas, da alimentação aos treinos, mas não acompanhava a qualidade do sono dos jogadores.
Em entrevista à Sky Sports, em 2017, Littlehales relembrou o encontro: “Passei de vendedor de camas a conversar com Sir Alex Ferguson e a turma de 1992 sobre a melhor forma de se recuperar e dormir”.
Depois da conversa, ele passou a colaborar com o clube inglês. As sugestões incluíam mudanças na temperatura e iluminação dos quartos, escolha de colchões e travesseiros, redução de telas antes de dormir e espaços para cochilos no centro de treinamento.
Método chegou a Cristiano Ronaldo
O trabalho ganhou espaço no futebol europeu e, anos depois, despertou o interesse de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Segundo Littlehales, o atacante português conhecia sua ligação com o Manchester United e quis entender a metodologia.
Ronaldo passou a organizar o descanso em cinco períodos diários, com ciclos próximos de 90 minutos. A estratégia busca melhorar a recuperação muscular, controlar o estresse e preservar o rendimento em uma rotina de jogos, treinos e viagens.
O programa, batizado de R90, propõe calcular o sono por ciclos, não apenas por horas noturnas. A meta é alcançar aproximadamente 35 ciclos por semana, média de cinco por dia.
Também à Sky Sports, Littlehales afirmou que uma noite ruim pode ser compensada nos dias seguintes, desde que o descanso seja planejado. O consultor trabalhou com Arsenal, Liverpool, Premier League e Federação Inglesa, tornando-se nome influente na preparação esportiva.





