O endividamento das famílias brasileiras voltou a bater recorde e acendeu um alerta para milhões de consumidores em todo o país. Dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 81,6% das famílias relataram possuir algum tipo de dívida em maio de 2026, o maior percentual da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
O índice representa a quinta alta mensal consecutiva e reforça a preocupação com a situação financeira dos brasileiros. Em abril, o percentual era de 80,9%. No mesmo período do ano passado, a taxa estava em 78,2%.
Entre os principais responsáveis pelo avanço do endividamento está o cartão de crédito. Segundo a pesquisa, 84,6% dos consumidores endividados apontaram essa modalidade como a principal fonte de compromissos financeiros. Na sequência aparecem os carnês de pagamento e o crédito pessoal.
Inadimplência cresce e afeta principalmente famílias de baixa renda
O levantamento revela que o problema é ainda mais intenso entre os brasileiros de menor renda. Nas famílias que recebem até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,6%, acima dos 81% registrados em maio de 2025.
Além do aumento das dívidas, a inadimplência também apresentou avanço. A parcela de famílias com contas em atraso alcançou 29,9% em maio, aproximando-se do maior nível registrado nos últimos anos.
Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, o cenário exige atenção, especialmente para os consumidores mais vulneráveis. Segundo ele, o peso dos juros e os atrasos nos pagamentos acabam ampliando as dificuldades financeiras de milhares de famílias.
Na avaliação da CNC, o elevado custo do crédito continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre os orçamentos domésticos. Mesmo com iniciativas de renegociação, como o programa Desenrola 2.0, os dados indicam que o endividamento segue avançando.





