No litoral norte do Rio de Janeiro, o distrito de Atafona, em São João da Barra, vive um processo dramático: o mar avança sem trégua sobre ruas, casas e memórias.
Considerada uma das erosões costeiras mais severas do Brasil, a situação já resultou na destruição de mais de 500 imóveis e forçou cerca de 2 mil moradores a abandonar suas residências. Se o ritmo atual continuar, especialistas preveem que a área urbana poderá desaparecer em menos de 30 anos.
As causas do avanço do mar
O fenômeno não é recente. Os primeiros registros da erosão datam da década de 1950, e desde então o mar segue engolindo, em média, três metros de terra a cada ano. O cenário atual impressiona: antigas casas de veraneio, clubes que já receberam festas da elite regional e ruas inteiras hoje terminam em abismos abertos pelas ondas.
Pesquisadores apontam que a tragédia é resultado de uma combinação de fatores. O aumento do nível do mar e a frequência maior de ressacas, consequência das mudanças climáticas, aceleram a destruição.
A construção de barragens no Rio Paraíba do Sul reduziu drasticamente o transporte de sedimentos até a foz, o que impede a reposição natural de areia. Além disso, o desmatamento das margens e a ocupação desordenada da orla contribuíram para agravar o problema.
As consequências vão além da destruição material. A pesca artesanal, principal atividade econômica local, enfrenta dificuldades devido ao assoreamento que dificulta a saída de barcos. A perda da faixa de areia compromete não apenas a renda das famílias, mas também a identidade cultural de uma comunidade que já foi referência turística.
Entre as possíveis soluções estão a construção de barreiras artificiais, o uso de aterros e a recuperação de manguezais. No entanto, os altos custos exigem apoio financeiro de instâncias superiores de governo.





