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Greve dos ônibus é confirmada e milhões de passageiros podem ser afetados a partir de 29/06

Por Matheus Chaves
27/06/2026
Motorista profissional

Imagem: Magnific (freepik)

O sistema de transporte público do município do Rio de Janeiro pode entrar em colapso operacional a partir da próxima segunda-feira (29). Isso porque motoristas de ônibus confirmaram que irão dar início a uma greve geral a partir da meia-noite desta data. A paralisação deve impactar diretamente milhões de passageiros que dependem diariamente do serviço para deslocamento entre trabalho, estudo e compromissos essenciais.

A decisão foi tomada após o fracasso nas negociações salariais entre o Sindicato dos Rodoviários e o setor patronal, representado pelo Rio Ônibus. Sem acordo após meses de conversas, a categoria afirma que não houve avanço suficiente nas propostas apresentadas, o que levou à convocação do movimento paredista.

Segundo o presidente do sindicato, Sebastião José, a situação se prolonga há cerca de três meses sem uma solução considerada viável para os trabalhadores. Em declaração destacada pelo portal O Dia, ele afirmou, em síntese, que os rodoviários vêm cedendo aosargumentos há anos e que a proposta mais recente das empresas não atende às condições enfrentadas pela categoria no dia a dia, marcada por longas jornadas e exposição constante a riscos.

Paralisação pode começar na madrugada de segunda-feira

A greve está prevista para ter início à meia-noite de 29 de junho, caso não haja um acordo de última hora entre as partes. Uma nova assembleia foi marcada para este domingo (28), às 18h, quando os trabalhadores devem confirmar oficialmente a deflagração do movimento.

O sindicato já havia decretado estado de greve anteriormente, mas manteve as negociações abertas na tentativa de evitar a paralisação total do sistema. Ainda assim, a ausência de consenso levou ao endurecimento da posição da categoria.

Proposta salarial foi rejeitada pelos rodoviários

Segundo o sindicato, a última oferta apresentada pelas empresas previa um reajuste de 4,39%, com base no IPCA acumulado até abril. Na prática, isso resultaria em uma correção salarial considerada insuficiente pelos trabalhadores.

Com a proposta, o salário dos motoristas de ônibus convencionais passaria de cerca de R$ 3,4 mil para pouco mais de R$ 3,5 mil. Já os condutores de veículos articulados teriam remuneração reajustada para pouco mais de R$ 4,2 mil. O vale-alimentação também sofreria aumento, mas em valores considerados limitados pela categoria. Para os rodoviários, os números estão distantes das reivindicações apresentadas nas negociações.

Categoria cobra reajuste maior e mudanças nas condições de trabalho

Entre as principais demandas estão salários mais elevados, com pedidos que chegam a R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e do sistema BRT, além de R$ 4 mil para os demais condutores. O sindicato também defende reajuste no auxílio-alimentação, ampliação de benefícios de saúde e mudanças na jornada de trabalho.

Outro ponto central da pauta é a crítica às condições operacionais enfrentadas pela categoria. Segundo o presidente do sindicato, também em fala destacada pelo jornal O Dia, os trabalhadores lidam com jornadas prolongadas, que em alguns casos ultrapassam 14 horas diárias, além de situações de insegurança e falta de valorização profissional.

A entidade também cobra a reestruturação de contratos de trabalho, com defesa da ampliação do regime CLT para diferentes funções, além da implementação de escala 5×2 e melhorias nos terminais de ônibus da cidade, incluindo infraestrutura básica como banheiros e espaços adequados de descanso.

Mediação sem avanço e cenário de incerteza

O sindicato informou ainda que buscou mediação junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), mas até o momento não houve evolução nas tratativas que pudessem evitar a paralisação.

Enquanto isso, o setor empresarial afirma que segue aberto ao diálogo e tenta manter as negociações em andamento, embora ainda sem sinalização de acordo.

Com o impasse, a cidade do Rio de Janeiro entra em alerta para possíveis impactos diretos na mobilidade urbana, especialmente em horários de pico, quando a dependência do transporte coletivo é maior e o fluxo de passageiros se intensifica em toda a região metropolitana.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Matheus Chaves

Matheus Chaves

Jornalista e produtor de conteúdo com mais de nove anos de experiência em comunicação digital, produção editorial e jornalismo online.

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