A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém (PA), ainda nem completou uma semana e já foi palco de um debate inusitado. O preço de um lanche dentro do evento gerou uma troca de opiniões entre jornalistas e reacendeu uma discussão cultural sobre valorização dos produtos amazônicos.
Reclamação viralizou nas redes
Tudo começou quando o jornalista Márcio Gomes, da CNN Brasil, publicou nas redes sociais um vídeo reclamando dos valores cobrados nos pontos de alimentação da COP 30.
No registro, ele contou ter pago R$ 99 por dois salgados e um refrigerante dentro do complexo montado para a Cúpula de Líderes. “Essa quiche de espinafre mais esse refrigerante zero deu setenta reais. E veja o tamanho da quiche… comprei também um camarão com queijo, deu vinte e oito reais. Ou seja, aqui deu noventa e nove reais”, relatou o jornalista, em tom de espanto.
Márcio ainda afirmou ter questionado a vendedora sobre o preço e ouviu como justificativa que o queijo era de Marajó, um produto regional de alto valor.
Defesa do produto regional
A reação veio logo em seguida. A também jornalista Márcia Dantas, da Jovem Pan News, e natural do Pará, decidiu responder ao colega e defender os preços praticados, explicando o contexto da produção local.
“Esse queijo é feito com leite de búfala lá da Ilha do Marajó, onde parte da minha família inclusive nasceu. É uma indicação geográfica específica, com regras rígidas de produção”, explicou Márcia em vídeo publicado nas redes.
Segundo ela, o queijo do Marajó é um produto artesanal e de difícil logística, o que encarece o valor final.
“Para ele chegar lá na mesa, dentro do salgadinho, precisa cruzar rios absurdos. Só do Marajó para Belém são três horas e meia de lancha, ou até 24 horas de barco comum. Ele precisa ficar refrigerado, e isso tudo aumenta o custo, mas também valoriza o produto”, disse.
“Poderia ser até mais caro”
A jornalista destacou ainda que o preço do lanche não era abusivo. “Se um salgado leva 70 gramas de queijo, isso representa R$ 14 só de custo. Soma a massa, o trabalho artesanal, energia, impostos… R$ 29 é até barato”, argumentou.
Ela também comparou com o valor de produtos vendidos em outras capitais do país: “Em São Paulo, a gente paga R$ 29 num pão com ovo gourmetizado, e ninguém reclama. Mas quando é da Amazônia, com ingredientes regionais e história, aí as pessoas acham caro.”
Debate cultural
A discussão, que começou com uma queixa sobre preços, acabou se transformando em uma reflexão sobre o valor da produção regional e o reconhecimento da cultura amazônica.
Entre comentários nas redes, muitos internautas concordaram com a visão de Márcia, ressaltando a importância de valorizar ingredientes locais e o trabalho dos produtores da região Norte, especialmente em um evento internacional sediado na Amazônia.Outros, porém, defenderam Márcio Gomes, argumentando que os altos preços dentro da COP 30 também refletem o custo de grandes eventos globais.





