O Brasil registra atualmente 58 casos confirmados de intoxicação por metanol, além de 15 mortes e outras dezenas de casos em investigação, segundo o Ministério da Saúde. O cenário lembra uma tragédia que marcou a história da vinicultura mundial: o escândalo do vinho contaminado na Itália, em 1986.
Naquele ano, o país — então o maior produtor de vinho do mundo — viu sua reputação ruir após a descoberta de que produtores haviam adicionado metanol às bebidas para aumentar o teor alcoólico e reduzir custos. O resultado foi devastador: mais de 20 mortes e centenas de pessoas hospitalizadas.
A tragédia que mudou o vinho italiano e serve de alerta ao Brasil
As primeiras vítimas foram registradas na região do Piemonte, conhecida como a “terra do vinho”. As investigações revelaram uma adulteração em larga escala, levando à apreensão de 25 milhões de litros de vinho contaminado e à queda drástica das exportações italianas.
O impacto foi tão profundo que o país precisou reconstruir todo o seu setor vinícola. Novas leis foram criadas, com foco na rastreabilidade que vai desde a uva até o produto final, o que eleva o nível do controle de qualidade e certificação de origem confiável.
A partir dessa crise, a Itália passou a priorizar qualidade em vez de quantidade — e hoje disputa com a França o posto de maior produtora de vinhos finos do mundo, além de ser o 3º país que mais consome vinho mundialmente.
O caso italiano é lembrado por especialistas como uma lição valiosa para o Brasil. Assim como em 1986, o uso ilegal de metanol em bebidas adulteradas expõe falhas de fiscalização e práticas criminosas que colocam vidas em risco e o Brasil ainda tem muito o que aprender sobre a segurança e rastreabilidade de bebidas, sobretudo destilados, alvos fáceis de adulteração.





