Neste domingo (2), o presidente Lula anunciou a criação de uma universidade voltada aos povos indígenas. A instituição de ensino superior deverá ter sede em Brasília (DF) e contará com campus em diferentes estados, conforme a demanda de cada região.
Segundo Lula, a oficialização da nova universidade deve ocorrer até 17 de novembro. “Já tem até prédio. Pode ter o curso principal lá [em Brasília], mas os Estados vão fazer extensão para os jovens próximo de onde moram”, afirmou o presidente.
Anúncio feito durante visita à Amazônia
O anúncio foi feito durante visita à Aldeia Vista Alegre de Capixauã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, em Santarém (PA). A agenda integra os compromissos do presidente na Amazônia, nos dias que antecedem a COP30, que será realizada em Belém, de 10 a 21 de novembro.
Durante o encontro, Lula conversou com lideranças indígenas e destacou a importância de ampliar o acesso ao ensino superior nas comunidades originárias. “Os meninos terminam o ensino médio e não têm faculdade para cursar e, muitas vezes, não podem ir até Santarém”, declarou.
O presidente estava acompanhado das ministras Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima). A comitiva também participou de uma reunião informal com caciques do povo Kumaruara, que vivem na região.
Expansão da rede de escolas e apoio da Funai
Além da nova universidade, Lula anunciou investimentos na ampliação das escolas padrão MEC em territórios indígenas. “Haverá construção e ampliação das escolas padrão MEC, que é outra coisa que a gente pode atender após levantamento e reunião com o ministro da Educação [Camilo Santana] e a Funai”, afirmou o presidente.
O governo deve iniciar um mapeamento das comunidades que ainda não contam com infraestrutura escolar adequada, a fim de priorizar os locais mais carentes.
Acesso à energia e moradia
Durante a visita, o chefe do Executivo também prometeu ampliar o acesso dos povos indígenas a programas federais nas áreas de saúde, habitação e energia elétrica.
“Vamos colocar luz. Não vai demorar para o ministro de Minas e Energia [Alexandre Silveira] vir conversar. Na habitação é preciso um levantamento de quantas habitações são necessárias, porque temos condições de trazer o Minha Casa, Minha Vida”, afirmou Lula.
Os programas Luz para Todos e Minha Casa, Minha Vida devem ser adaptados para atender aldeias e comunidades indígenas isoladas, garantindo moradia digna e fornecimento de energia de forma sustentável.
Compromisso com os povos originários
O anúncio reforça o compromisso do governo federal em ampliar políticas públicas voltadas às populações indígenas, especialmente na educação e infraestrutura básica. A criação da nova universidade será um marco histórico na promoção do ensino superior inclusivo e na valorização das culturas tradicionais.
“Queremos que os jovens indígenas tenham a oportunidade de estudar perto de suas comunidades, sem precisar abandonar suas raízes”, disse Lula. A proposta deve ser detalhada nas próximas semanas, em reunião entre o Ministério da Educação, a Funai e as lideranças indígenas.





