Considerada uma das maiores paralisações dos últimos anos, os trabalhadores de Portugal decidiram entrar em greve desde a manhã desta quarta-feira (3). A movimentação, organizada pelos principais centrais sindicais do país, ocorre em resposta à proposta de reforma trabalhista apresentada pelo governo e atualmente em tramitação no Parlamento.
A greve afeta diversos setores essenciais, incluindo transporte público, aviação, educação, saúde e serviços administrativos. A adesão dos trabalhadores começou a provocar transtornos ainda nos dias anteriores, especialmente em aeroportos e estações ferroviárias.
Reforma divide opiniões e gera reação de sindicatos
No centro da disputa está um pacote de mudanças defendido pelo governo português como necessário para modernizar as relações de trabalho e impulsionar a competitividade da economia. Entre as medidas propostas estão a ampliação das possibilidades de terceirização, flexibilização de contratos temporários, alterações nas regras de jornada de trabalho e mudanças nos critérios para indenizações em casos de demissão.
O primeiro-ministro Luís Montenegro afirma que a legislação trabalhista portuguesa está entre as mais rígidas dos países da OCDE e que as mudanças podem estimular investimentos e geração de empregos.
Já os sindicatos argumentam que a reforma enfraquece direitos conquistados ao longo das últimas décadas e pode aumentar a precarização das relações de trabalho. Entidades representativas também criticam as alterações nas regras de contratação e desligamento de funcionários.
Os impactos da paralisação já são sentidos por passageiros que viajam entre Portugal e Brasil. Companhias aéreas cancelaram voos e precisaram reorganizar operações para reduzir os efeitos da greve. O transporte ferroviário também registra atrasos e suspensões em diversas rotas.
Além disso, escolas, hospitais e repartições públicas operam com capacidade reduzida. Em algumas regiões, usuários enfrentam filas maiores e demora no atendimento.





