Mais de meio século após um incêndio devastador, um dos prédios científicos mais simbólicos do Rio de Janeiro está prestes a ganhar uma nova vida. O Palácio da Geologia, na Urca, conhecido por abrigar o Museu de Ciências da Terra, será completamente revitalizado com um investimento estimado em R$ 200 milhões, prometendo recolocar o espaço no circuito cultural e científico do país.
O edifício carrega uma história marcada por perdas. Em maio de 1973, um incêndio destruiu quase metade de sua estrutura em apenas 15 minutos. As chamas consumiram uma biblioteca técnica com cerca de 160 mil volumes, interrompendo de forma abrupta a atuação científica da então Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, atual Serviço Geológico do Brasil.
Um patrimônio científico à espera de reencontro com o público
Construído em 1907, em estilo neoclássico tardio, o prédio fica a poucos metros do Pão de Açúcar, em uma das áreas mais emblemáticas da cidade. Tombado como patrimônio histórico, ele foi erguido inicialmente para a Exposição Nacional de 1908 e, desde o ano seguinte, passou a abrigar instituições ligadas à pesquisa geológica brasileira.
Após décadas de promessas, o projeto de recuperação finalmente saiu do papel. As obras do novo Centro Científico e Cultural da Urca estão em fase de licitação e devem ser concluídas até 2028. O plano prevê a restauração do museu, a criação de um Centro de Referência em Geociências e a implantação de uma litoteca, destinada à guarda de amostras de rochas e minerais.
O acervo ajuda a dimensionar a importância do espaço. São mais de 10 mil amostras de minerais, milhares de fósseis, rochas e meteoritos, além de uma biblioteca especializada com cerca de 100 mil títulos. O museu também mantém atividades educativas e uma biblioteca infantil, reforçando seu papel formador.





