A definição de “gênio” varia conforme a época e a perspectiva, mas, para o professor Craig Wright, da Universidade de Yale, há um padrão comum entre as mentes mais brilhantes da história. Em entrevista à BBC, o doutor em História da Música, que estuda a genialidade há mais de duas décadas, afirma que “um gênio é uma pessoa com poderes mentais extraordinários, cujas obras ou conceitos originais mudam a sociedade de forma significativa durante alguns anos”.
Autor do livro Os Hábitos Secretos dos Gênios e responsável pela disciplina “Explorando a Natureza do Gênio” em Yale, Wright sustenta que fatores como QI e desempenho escolar são “superestimados”. Segundo ele, os verdadeiros traços que aproximam indivíduos altamente inteligentes passam longe de estereótipos como talento excepcional ou facilidade inata.
A seguir, veja quatro comportamentos que, segundo estudos e especialistas, são encontrados com frequência em pessoas de altas habilidades, embora não sejam determinantes de inteligência.
São extremamente focados
De acordo com Wright, o surgimento da genialidade não é repentino, mas resultado de um longo processo movido por paixão e obstinação. O especialista explica que aquilo que chamamos de “momento genial” é, na verdade, o ápice de anos de dedicação intensa.
Ele compara dois perfis no campo da criatividade, a “raposa”, que sabe um pouco de tudo, e o “ouriço”, que se aprofunda em um único tema. Embora haja caminhos diferentes para o desenvolvimento intelectual, Wright destaca que pessoas muito inteligentes tendem a reunir experiências variadas, o que permite combinar ideias aparentemente desconectadas.
Têm o hábito de roer as unhas
A onicofagia, hábito de roer unhas considerado patológico, costuma ser associada à ansiedade. No entanto, estudos citados pela revista Psychology Today indicam que pessoas com essa mania podem apresentar traços de perfeccionismo.
Para a professora Sylvia Sastre-Riba, especialista em Desenvolvimento Cognitivo da Universidade de La Rioja (UNIR), o perfeccionismo é uma característica frequente em indivíduos de altas habilidades. Roer as unhas, nesse contexto, pode funcionar como mecanismo de alívio mental, auxiliando na concentração e na estimulação criativa.
O hábito, contudo, também pode estar ligado a transtornos como TDAH, ansiedade e distúrbios de tique, o que exige acompanhamento adequado.
Preferem trabalhar sozinhos
Várias pesquisas sugerem que pessoas altamente inteligentes possuem maior sensibilidade sensorial. Um estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, apontou correlação entre inteligência e processamento mais profundo de estímulos, o que explica a intolerância a ruídos altos, luzes fortes e ambientes cheios de gente.
Por isso, muitas delas tendem a buscar locais silenciosos e rotinas solitárias para se concentrar melhor.
Falam sozinhos
Falar consigo mesmo é um comportamento comum entre gênios, e nem Albert Einstein escapava dessa característica. Pesquisadores das universidades de Wisconsin e Pensilvânia observaram que verbalizar palavras ou pensamentos auxilia na memória e na organização mental.
No estudo, participantes encontraram objetos com mais facilidade quando disseram seus nomes em voz alta, porque a fala ativa propriedades visuais no cérebro. Assim, o hábito pode funcionar como ferramenta prática para raciocínio, foco e resolução de problemas.
Importante observar contextos
Embora esses comportamentos apareçam com frequência em indivíduos de altas habilidades, especialistas ressaltam que nenhuma dessas manias, isoladamente, determina inteligência acima da média. Fatores como estilo de vida, ambiente, saúde mental e estímulo intelectual desempenham papel igualmente importante no desenvolvimento cognitivo.





