Um ensaio empírico divulgado pelo canal Carwire examinou, de forma sistemática, o impacto da velocidade na eficiência energética de um utilitário esportivo elétrico, o Tesla Model Y. A investigação partiu de um princípio conhecido na engenharia automotiva — o aumento da resistência aerodinâmica com a elevação da velocidade — para quantificar, em condições controladas, como esse fator interfere na autonomia e no tempo total de deslocamento em viagens prolongadas.
A metodologia adotada consistiu na repetição de percursos de 50 quilômetros sob quatro regimes distintos de condução: 81 km/h, 96 km/h, 113 km/h e 129 km/h.
Com base nos dados coletados e considerando uma bateria de 75 kWh, foi projetado um cenário de viagem contínua de 320 quilômetros. Os resultados apontaram uma queda progressiva na autonomia à medida que a velocidade aumentava.
No extremo superior do teste, a 129 km/h, o alcance estimado foi de 328 quilômetros, praticamente coincidente com a distância total simulada. Esse nível reduzido de margem operacional implica maior sensibilidade a variáveis externas, incluindo vento contrário, topografia irregular e uso de sistemas como climatização.
Por outro lado, o estudo identificou uma faixa intermediária como a mais eficiente do ponto de vista logístico. A condução a 113 km/h apresentou uma combinação mais favorável entre tempo de viagem e consumo energético, permitindo completar o trajeto em aproximadamente 2 horas e 51 minutos, com autonomia estimada em 400 quilômetros.
Desproporcionalidade do custo energético
Os números também evidenciam a desproporcionalidade do custo energético em velocidades mais elevadas. O salto de 113 km/h para 129 km/h resulta em uma economia de tempo limitada a cerca de 21 minutos, enquanto o consumo aumenta de 302,2 Wh/mi para 366,2 Wh/mi.
Esse comportamento decorre da intensificação não linear do arrasto aerodinâmico, que cresce exponencialmente em faixas mais altas de velocidade.





