Uma mudança na legislação sobre o cacau pode transformar a forma como o chocolate chega às prateleiras — e também o que o consumidor leva para casa sem perceber.
Um projeto aprovado pela Câmara dos Deputados do Brasil propõe novas regras para a composição e rotulagem dos produtos, com impacto direto na qualidade e transparência do mercado.
O que pode mudar no chocolate vendido no Brasil
O texto estabelece critérios mais rigorosos sobre o que pode ser chamado de chocolate. Entre as principais mudanças está a definição de percentuais mínimos de cacau. Surgem duas novas categorias: o “chocolate intenso”, com mais de 35% de cacau, e o “chocolate doce”, com pelo menos 25%.
Produtos tradicionais também passam por ajustes. O chocolate ao leite, por exemplo, deverá conter no mínimo 25% de cacau e 14% de leite. Já o chocolate branco precisará ter ao menos 20% de manteiga de cacau — ingrediente essencial que hoje não tem exigência mínima clara na regulamentação.
Outro ponto importante é a limitação de até 5% de gorduras vegetais hidrogenadas na composição. A medida busca reduzir o uso de substitutos mais baratos da manteiga de cacau, o que pode elevar a qualidade dos produtos.
A rotulagem também deve mudar. As embalagens terão que informar, de forma visível, o percentual de cacau, ocupando pelo menos 15% da área frontal. A ideia é facilitar a comparação entre produtos e evitar que itens com baixo teor de cacau sejam vendidos como “chocolate”.
O debate ganhou força após estudos indicarem que muitos produtos classificados como “meio amargo” têm composição semelhante à de chocolates ao leite, com alto teor de açúcar.
Se aprovado também pelo Senado Federal do Brasil, o projeto pode mudar o padrão do mercado em até 360 dias. Para o consumidor, isso significa mais clareza — e possivelmente um chocolate mais fiel ao que promete no rótulo.





