A adolescência já é um período desafiador, mas, no Brasil, os dados mostram que ela pode ser ainda mais difícil para meninas. Um levantamento recente da IBGE revela que adolescentes do sexo feminino apresentam níveis significativamente mais altos de sofrimento emocional em comparação aos meninos.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 aponta que 25% das meninas disseram sentir que “a vida não vale a pena ser vivida” com frequência. Entre os meninos, o índice é de 12%. O dado chama atenção e reforça um cenário mais amplo de vulnerabilidade emocional.
Tristeza, ansiedade e pressão social pesam mais para meninas
Os números mostram que o impacto vai além da sensação de desesperança. Cerca de 41% das meninas relataram tristeza frequente, contra 16,7% dos meninos. A vontade de se machucar também aparece com mais força entre elas: 43,4% disseram já ter sentido esse impulso, mais que o dobro do registrado entre os garotos.
A irritação constante também é mais comum: atinge 58,1% das adolescentes, enquanto entre meninos o índice é de 27,6%.
Para especialistas, esse cenário não pode ser analisado isoladamente. Segundo Gabriela Mora, fatores sociais e culturais ajudam a explicar a diferença. “Isso tudo é reflexo de um contexto de desigualdade de gênero e violência”, afirma.
Entre os fatores que mais impactam estão:
- pressão estética e insatisfação com o corpo
- maior exposição a assédio e violência
- cobranças sociais e emocionais mais intensas
A pesquisa mostra, por exemplo, que 36,1% das meninas estão insatisfeitas com o próprio corpo, quase o dobro dos meninos. O estudo reforça a importância de olhar com mais atenção para a saúde mental na adolescência, especialmente entre meninas. Escola, família e sociedade têm papel fundamental na criação de espaços seguros de escuta e acolhimento.
Mais do que números, os dados revelam uma realidade que precisa ser compreendida — e enfrentada.





