Novak Djokovic anunciou, neste domingo (4), que não faz mais parte da Associação Profissional de Jogadores de Tênis (PTPA). Um dos maiores nomes da história do esporte, o sérvio de 24 títulos de Grand Slam afirmou que a decisão foi motivada por divergências relacionadas à transparência, à governança e ao rumo tomado pela entidade que ajudou a fundar.
A declaração foi feita por meio de uma publicação nas redes sociais, na qual Djokovic afirmou que seus valores pessoais já não estão alinhados com a atual direção da associação.
Divergência de valores e governança
Em seu comunicado, o tenista explicou que a saída é definitiva e ocorre após uma reflexão cuidadosa sobre o funcionamento interno da PTPA.
“Tenho orgulho da visão que Vasek e eu compartilhamos ao fundar a PTPA, dando aos jogadores uma voz mais forte e independente, mas ficou claro que meus valores e minha abordagem não estão mais alinhados com a direção atual da organização”, escreveu Djokovic.
Segundo ele, também houve preocupações sobre a forma como sua imagem e sua voz estavam sendo representadas dentro da entidade.
Criação da PTPA e ruptura com a ATP
Djokovic foi um dos cofundadores da PTPA em 2020, ao lado do canadense Vasek Pospisil. A associação surgiu com a proposta de representar exclusivamente os interesses dos jogadores, em oposição às estruturas tradicionais do tênis profissional.
Na época, o sérvio chegou a deixar o cargo de presidente do conselho de jogadores da ATP, decisão que contrariou figuras importantes do esporte, como Roger Federer e Rafael Nadal, que defendiam a manutenção do modelo institucional vigente.
Embate histórico no tênis mundial
A saída de Djokovic acontece em um momento delicado para a PTPA. Em 2025, a associação entrou com uma ação judicial contra a ATP, a WTA, a Federação Internacional de Tênis (ITF) e as autoridades antidoping, alegando práticas anticompetitivas e falta de representatividade dos atletas.
Posteriormente, o processo foi ampliado para incluir os organizadores dos quatro torneios de Grand Slam, sob acusação de formação de cartel, limitação de oportunidades e descaso com o bem-estar dos jogadores.
Embora tenha defendido a necessidade de reformas no esporte, Djokovic já havia sinalizado desconforto com alguns pontos do documento apresentado pela associação, afirmando publicamente que não concordava integralmente com o teor da ação judicial.
Debate sobre premiação e calendário
Um dos principais pontos levantados pela PTPA diz respeito à distribuição das receitas dos torneios. Atualmente, os jogadores recebem entre 15% e 20% da arrecadação dos Grand Slams, percentual considerado baixo quando comparado a ligas como NBA, NFL e MLB, que destinam cerca de 50% das receitas aos atletas.
O diretor executivo da associação, Ahmad Nassar, afirma que o objetivo do processo não é levá-lo até o fim, mas pressionar por mudanças na distribuição de prêmios e na organização do calendário do circuito profissional.
Foco no tênis e em novos caminhos
No encerramento do comunicado, Djokovic afirmou que seguirá concentrado na carreira, na família e em contribuir com o esporte de formas que estejam alinhadas com seus princípios.
“Desejo o melhor aos jogadores e a todos os envolvidos daqui para frente, mas, para mim, este capítulo está encerrado”, declarou o sérvio.
A decisão marca o fim de uma participação ativa de Djokovic em um dos movimentos mais ambiciosos de transformação institucional do tênis moderno, reforçando o momento de instabilidade e debate sobre o futuro da governança do esporte.





