A Copa do Mundo de 2026 será palco de uma das maiores mudanças nas regras do futebol desde a implementação do árbitro de vídeo. A novidade tem como alvo um problema que acompanha o esporte há décadas: a cera. Agora, um simples período de cinco segundos poderá ser suficiente para mudar a posse de bola e até criar oportunidades perigosas para o time adversário.
As alterações foram aprovadas pela International Football Association Board (IFAB), entidade responsável pelas regras do futebol mundial, e passarão a valer já durante o Mundial que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México. O objetivo central é aumentar o tempo de bola rolando e reduzir situações de cera como demora para cobrar um lateral e um tiro de meta, situações que frequentemente interrompem o ritmo das partidas.
Contagem regressiva passa a valer em laterais e tiros de meta
Uma das mudanças mais impactantes envolve as cobranças de lateral. Quando o árbitro identificar que o jogador está retardando deliberadamente a reposição da bola, será iniciada uma contagem visual de cinco segundos. Caso o tempo se esgote sem a cobrança ser realizada, a posse será automaticamente transferida para a equipe adversária.
A mesma lógica será aplicada aos tiros de meta. Entretanto, a punição será ainda mais severa. Se a equipe responsável pela reposição ultrapassar o limite estabelecido, o adversário ganhará um escanteio. Na prática, isso transforma uma tentativa de gastar tempo em uma situação de risco imediato para a defesa.
Combate à cera se tornou prioridade para a Fifa
A adoção das novas regras está diretamente relacionada ao volume de tempo perdido nas partidas modernas. Estudos e levantamentos analisados pelas entidades do futebol apontam que uma parcela significativa dos jogos é consumida por interrupções, reposições demoradas e paralisações diversas.
Na Copa do Mundo de 2022, por exemplo, as partidas tiveram uma média de 100 minutos. No entanto, 42 minutos costumavam ser perdidos durante os jogos. A ideia é reduzir essa quantidade de tempo de bola parada.
Nesse contexto, a IFAB decidiu atacar alguns dos principais mecanismos utilizados para desacelerar o confronto. A expectativa é que as mudanças aumentem o tempo efetivo de jogo e reduzam estratégias utilizadas por equipes que tentam administrar resultados nos minutos finais.
Outras mudanças também chegarão ao Mundial
As novidades não se limitam à regra dos cinco segundos. As substituições também passarão a ter um controle mais rigoroso. O atleta substituído terá apenas dez segundos para deixar o gramado após a sinalização do quarto árbitro. Caso ultrapasse esse prazo, o jogador que entraria precisará aguardar um minuto antes de participar da partida, deixando sua equipe temporariamente com um atleta a menos.
Outra alteração envolve os atendimentos médicos. Jogadores de linha que precisarem de assistência dentro de campo deverão permanecer pelo menos um minuto fora do jogo após o reinício da partida. A medida busca evitar interrupções estratégicas utilizadas para esfriar o ritmo do confronto.
Além disso, o VAR terá atuação ampliada. O profissional que estiver no comando do sistema poderá corrigir erros objetivos envolvendo marcações equivocadas de escanteios e tiros de meta, além de auxiliar em situações relacionadas a segundos cartões amarelos aplicados de forma incorreta. Tudo isso por meio de uma comunicação direta com o árbitro de campo, sem precisar que ele vá até o monitor para fazer checagens.





