Um novo estudo conduzido pela Stanford Law School, uma das mais prestigiadas faculdades de Direito dos Estados Unidos, está provocando debates sobre o impacto da inteligência artificial na formação e no futuro dos profissionais da área jurídica.
A pesquisa revelou que sistemas de IA conseguiram responder dúvidas de estudantes de Direito de forma considerada mais útil do que professores humanos na maioria dos casos avaliados.
O trabalho reuniu docentes de 14 faculdades de Direito americanas e analisou perguntas comuns feitas por alunos do primeiro ano do curso, especialmente em disciplinas ligadas a contratos. Ao todo, foram elaboradas 40 questões que costumam surgir durante atendimentos acadêmicos e sessões de orientação.
Inteligência artificial venceu professores em 75% das avaliações
As mesmas perguntas foram respondidas tanto pelos professores quanto por duas ferramentas de inteligência artificial: o Gemini 2.5 Pro, do Google, e o NotebookLM. Em seguida, os próprios docentes avaliaram as respostas sem saber quem era o autor de cada uma delas.
Segundo o estudo, as respostas produzidas pelos sistemas de IA foram consideradas mais benéficas para os estudantes em 75% das comparações realizadas pelos avaliadores. Além disso, o desempenho das ferramentas ficou no mesmo nível do professor mais bem avaliado da pesquisa.
Outro dado que chamou atenção foi a taxa de respostas consideradas prejudiciais ao aprendizado. Entre os conteúdos gerados por inteligência artificial, menos de 4% receberam essa classificação. Já entre as respostas escritas por docentes, o índice chegou a 12%.
Julian Nyarko, professor da Stanford Law School e um dos autores do estudo, afirmou que a equipe ficou surpresa com a dimensão dos resultados, especialmente porque as perguntas envolviam raciocínios jurídicos complexos e não apenas respostas objetivas.
A pesquisa surge em um momento em que universidades, escritórios de advocacia e órgãos reguladores discutem o papel da inteligência artificial na prática jurídica.





