A nova regra do Enem 2025, que permitirá o uso das notas das três últimas edições do exame no Sisu, deve mudar de forma significativa o cenário para quem encara a prova pela primeira vez.
A possibilidade de concorrer com resultados obtidos em anos anteriores promete ampliar o número de candidatos, reaquecer sonhos antigos e reduzir a ociosidade de vagas — mas, ao mesmo tempo, acende um alerta entre estreantes, que temem entrar em desvantagem logo na largada.
Disputa mais acirrada e dúvidas sobre impacto real
Em 2025, cerca de 4,8 milhões de candidatos disputarão as vagas do Sisu. Entre eles, 1,8 milhão são alunos do terceiro ano do ensino médio, justamente o grupo que mais critica a mudança.
A preocupação é clara: enquanto veteranos poderão usar até três notas diferentes, quem faz o exame pela primeira vez contará apenas com o desempenho de um único ano. Isso eleva a pressão e acirra a concorrência sobretudo nos cursos mais visados, como Medicina.
Além disso, existe o receio de que a comparação entre provas diferentes gere distorções. Embora a TRI — método estatístico que corrige o Enem — permita, em tese, a equivalência entre as edições, especialistas lembram que nem todos os anos apresentam o mesmo nível de dificuldade.
Outro impacto previsto é o aumento da evasão. A experiência do Sisu mostra que muitos aprovados acabam abandonando os cursos logo no primeiro semestre por escolhas precipitadas. Com a chance de reutilizar notas antigas, cresce a possibilidade de que estudantes utilizem a vaga inicial apenas como “ponte” para tentar algo mais desejado depois.
O MEC afirma que a regra amplia a chance de preenchimento das vagas e mantém a isonomia. Ainda assim, para quem enfrenta o Enem pela primeira vez, o sentimento é de que o desafio ficou maior — e a estratégia, mais complexa.





