Após quase dez anos afastado dos grandes projetos empresariais, Eike Batista tenta retomar espaço no mercado com uma aposta ambiciosa no setor de energia limpa. O empresário anunciou o lançamento da BRXe, empresa criada para explorar uma nova variedade de cana-de-açúcar apelidada de “supercana”, voltada à produção de biocombustíveis, biomassa e insumos sustentáveis para a indústria.
A iniciativa ganhou projeção no fim de fevereiro, quando Eike publicou nas redes sociais que teria assegurado um investimento de US$ 500 milhões, informação divulgada pela Bloomberg. Segundo ele, os recursos seriam destinados ao desenvolvimento da cultura e à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e bioplásticos, dois mercados em rápida expansão global.
O que é a “supercana” e por que ela atrai investidores
De acordo com a BRXe, a supercana apresenta produtividade significativamente superior à cana tradicional. Testes experimentais indicam potencial para gerar até três vezes mais etanol por hectare e entre sete e doze vezes mais biomassa. Essa combinação é considerada estratégica para atender à demanda crescente por combustíveis de baixa emissão de carbono, especialmente no setor aéreo.
Os primeiros experimentos estão sendo conduzidos no estado do Rio de Janeiro, e a empresa afirma que os resultados iniciais reforçam a viabilidade comercial do projeto. A proposta é posicionar a supercana como uma alternativa competitiva para substituir matérias-primas fósseis em cadeias industriais.
O retorno de Eike, no entanto, ocorre sob forte escrutínio do mercado. O empresário já figurou como o homem mais rico do Brasil, com fortuna estimada em US$ 34,5 bilhões em 2012, antes do colapso do chamado “império X”, que incluiu empresas como a OGX. Promessas de produção que não se confirmaram e problemas de governança levaram à queda do grupo.
Mesmo assim, Eike afirma que o novo projeto tem bases técnicas mais sólidas e foco em um setor com demanda comprovada.





