O Sistema Único de Saúde (SUS) dará início à aplicação de um novo medicamento para o tratamento do diabetes, com foco em dois dos grupos mais sensíveis da população: idosos e crianças e adolescentes de até 17 anos.
A medida faz parte de um projeto-piloto do Ministério da Saúde que passa a ofertar a insulina glargina, uma versão de ação prolongada, em regiões selecionadas do país.
Por que idosos e jovens estão no centro da estratégia
A decisão tem base clínica. Entre os idosos, episódios de hipoglicemia — quando o nível de açúcar no sangue cai excessivamente — são mais frequentes e potencialmente graves. Quedas, confusão mental e internações estão entre as consequências mais comuns. Além disso, limitações visuais, cognitivas ou motoras tornam esquemas complexos de aplicação de insulina mais arriscados nessa fase da vida.
Nesse contexto, a insulina glargina surge como alternativa para simplificar o tratamento. Com efeito estável e duração de até 24 horas, ela tende a reduzir oscilações glicêmicas e exige menos aplicações diárias.
O programa também contempla crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1, condição em que a insulina é indispensável desde o diagnóstico. Durante o crescimento, variações hormonais, mudanças na alimentação e na rotina escolar dificultam o controle da glicemia. Uma insulina basal de ação prolongada pode ajudar a dar mais estabilidade, desde que bem indicada.
A implementação inicial ocorrerá no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal. Segundo o Ministério da Saúde, essas regiões permitirão acompanhar o impacto clínico da medida em diferentes realidades do país. A substituição da insulina tradicional não será automática: cada paciente passará por avaliação individual das equipes do SUS.
Para os beneficiados, a principal mudança está na rotina mais simples e previsível. Ainda assim, o acompanhamento médico e o monitoramento da glicose continuam indispensáveis.





