O médico austriáco, Sigmund Freud, conhecido por como o pai da psicanálise, um método de investigação da mente humana, é dono de diversas frases de efeitos que foram ditas por ele ao longo de sua vida. Uma delas é “O primeiro humano que insultou seu inimigo em vez de atirar uma pedra foi o fundador da civilização”. A fala do especialista traz um debate importante em relação à importância dos debates e conversas, mesmo que às vezes em tons mais exaltados, em relação ao uso da agressividade física.
Esta fala de Freud pode ser encontrada na obra “A Dinâmica Do Diabo”, de Arman Assan. Além disso, aparece em diferentes compilações de pensamentos do autor e dialoga diretamente com conceitos presentes em sua teoria.
O contexto por trás da frase
Para entender o peso dessa afirmação, é necessário olhar para o pensamento de Freud sobre a sociedade. Em obras como O mal-estar na civilização, o psicanalista discute como os seres humanos são movidos por impulsos instintivos, especialmente a agressividade, e como a vida em sociedade depende justamente da contenção desses impulsos.
Nesse cenário, a frase funciona como uma síntese: ela sugere que o momento em que o ser humano substitui a violência física pela expressão verbal marca um salto civilizatório. Não se trata de eliminar o conflito, mas de transformá-lo em algo menos destrutivo.
O que Freud quis dizer com isso
A ideia central não é que o insulto seja positivo, mas que ele representa um avanço em relação à agressão direta. Ao trocar a pedra pela palavra, o ser humano cria um espaço simbólico, onde o conflito pode existir sem necessariamente gerar destruição física.
Esse raciocínio está alinhado com a base da psicanálise: a noção de que os impulsos não desaparecem, mas podem ser canalizados. Em vez de agir de forma imediata, o indivíduo passa a elaborar, ainda que de maneira imperfeita, aquilo que sente.
A importância disso para a sociedade moderna
A leitura dessa frase ganha ainda mais relevância quando aplicada ao presente. Em um ambiente cada vez mais polarizado, o conflito continua existindo, mas a forma como ele é conduzido faz toda a diferença.
O debate, mesmo quando intenso, ainda é um mecanismo de mediação. Ele permite que ideias opostas coexistam sem que o confronto se transforme em violência física. Nesse sentido, até discussões mais acaloradas cumprem um papel civilizatório: são uma forma de expressão que substitui a agressão direta.
Entre o conflito e a convivência
Freud não romantiza o comportamento humano. Pelo contrário, ele reconhece que a agressividade é parte da natureza das pessoas. O ponto central é outro: a civilização depende da capacidade de administrar esses impulsos.
A frase, portanto, não é apenas provocativa, ela é um alerta. Sempre que o diálogo é abandonado e a violência volta a ser o caminho, há um retrocesso nesse processo civilizatório. No fim das contas, o “desabafo” de Freud aponta para uma constatação simples e incômoda: viver em sociedade não significa eliminar conflitos, mas aprender a lidar com eles sem destruir o outro no processo.





