Em um mundo dominado por destros, ser canhoto é ser diferente. Embora represente apenas uma pequena parcela da população mundial — cerca de 10% —, essa característica pode estar ligada a comportamentos e vantagens inesperadas.
Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália, trouxe novas pistas sobre o tema e revelou que pessoas que usam predominantemente a mão esquerda podem ter uma característica marcante: maior disposição para competir.
Vantagem pode estar ligada à evolução
A pesquisa analisou mais de mil voluntários para entender se a preferência por uma das mãos poderia estar associada a traços de personalidade. Os participantes responderam questionários sobre comportamento, motivação e estilo psicológico. Depois, parte deles passou por novas avaliações focadas em competitividade, ansiedade e tendências emocionais.
Os resultados chamaram a atenção dos cientistas. Em média, os canhotos apresentaram níveis mais altos de competitividade e menor tendência a evitar confrontos por insegurança ou medo. Ou seja, demonstraram maior disposição para enfrentar disputas e desafios.
Os pesquisadores também investigaram se essa diferença poderia estar relacionada à habilidade física. Para isso, alguns voluntários participaram de um teste motor simples: encaixar pinos em um tabuleiro usando apenas uma mão, no menor tempo possível.
Curiosamente, o desempenho não indicou superioridade física dos canhotos. Muitos destros foram até mais rápidos na tarefa. Isso levou os cientistas a concluir que o diferencial está menos na habilidade manual e mais no comportamento psicológico diante de situações competitivas.
Uma possível explicação para esse fenômeno está na chamada “estratégia evolutivamente estável”, conceito da biologia que explica por que certas características raras continuam existindo ao longo do tempo. Mesmo sendo minoria, os canhotos podem ter vantagens em disputas individuais, justamente por serem menos previsíveis.
Essa combinação de surpresa estratégica e perfil competitivo pode ajudar a explicar por que a “canhotice” atravessou gerações sem desaparecer.





