O aquecimento dos oceanos já começa a redesenhar o cenário climático de 2026 no Brasil. Projeções de centros internacionais e análises de meteorologistas indicam que um novo episódio de El Niño deve começar a se formar entre o fim do outono e o início do inverno, com sinais perceptíveis já a partir de março.
Antes mesmo de o fenômeno se consolidar, seus efeitos tendem a antecipar mudanças importantes no regime de chuvas, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste.
El Niño deve prolongar período chuvoso e aumentar extremos
Segundo análise do meteorologista Vinícius Lucyrio, do Climatempo, o aquecimento do Pacífico Equatorial pode estender o atual período chuvoso dessas regiões até meados ou final de abril, algo fora do padrão climatológico. As áreas mais sensíveis são aquelas influenciadas pelas chamadas regiões Niño 1+2 e Niño 3, próximas à costa da América do Sul, onde o aumento da temperatura do mar altera a circulação atmosférica.
As projeções mais recentes da NOAA apontam maior probabilidade de um El Niño moderado a forte, com evolução acelerada e semelhanças com o evento de 2023. Em geral, o pico do fenômeno ocorre entre novembro e janeiro, mas seus impactos começam bem antes, influenciando chuvas, ondas de calor e a distribuição de frentes frias.
No Sul do país, o cenário esperado é de um inverno mais nublado e instável, com aumento do risco de temporais. Já na primavera, cresce a chance de chuvas volumosas, enchentes e eventos extremos, como os Complexos Convectivos de Mesoescala, que também podem atingir Mato Grosso do Sul e São Paulo.
O El Niño ocorre quando os ventos alísios enfraquecem, permitindo que águas quentes se desloquem para o leste do Pacífico. Esse aquecimento do oceano modifica padrões globais de chuva e temperatura — e, no Brasil, costuma significar chuvas fortes no primeiro semestre e calor extremo mais adiante.





