A Venezuela, vizinha do Brasil, já foi considerada uma das nações mais ricas do continente. Impulsionada pelas maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, o país chegou a ser chamado de “Arábia Saudita da América Latina” ou até de “Dubai das Américas” em referência à prosperidade exibida principalmente nas décadas de 1970 e 1980.
O auge da prosperidade
Entre 1959 e 1983, a Venezuela viveu três décadas de crescimento acelerado, com média anual de 4,3%. Nos anos 1970, os venezuelanos tinham o maior poder de compra da América Latina, quase três vezes superior ao dos brasileiros. Caracas ostentava infraestrutura moderna, hotéis de luxo e rodovias amplas, enquanto o bolívar era tão valorizado que viagens de compras a Miami eram comuns.
Há cerca de 25 anos, o PIB venezuelano alcançava US$ 122,9 bilhões, superando economias como a da Colômbia e registrando desempenho superior ao do Brasil.
Da riqueza ao colapso
O declínio começou nas últimas décadas e se agravou sob os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Políticas econômicas intervencionistas, controle cambial e de preços, gastos públicos elevados e má gestão da estatal PDVSA minaram a economia.
A dependência do petróleo tornou o país vulnerável à queda dos preços internacionais. Em 2016, o barril despencou para cerca de US$ 21, enquanto a produção interna caía. Entre 2014 e 2021, o PIB encolheu cerca de 70%, e em 2019 a hiperinflação atingiu 300 mil por cento, levando o bolívar a perder praticamente todo o valor.
Impacto social devastador
Hoje, mais de 91% da população vive na pobreza, sendo 67% em extrema pobreza. Relatórios da ONU apontam que 7,6 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária, e um levantamento do Unicef mostra que um terço da população deixa de fazer ao menos uma refeição por dia.
O êxodo é histórico: quase 8 milhões de venezuelanos deixaram o país, cerca de um quarto da população.
A presença no Brasil
Atualmente, estima-se que 743 mil venezuelanos vivam em território brasileiro. Entre 2018 e o fim de 2025, cerca de 1,4 milhão cruzaram a fronteira, mas aproximadamente 654 mil retornaram ou migraram para outros destinos.
Principais cidades com presença de venezuelanos:
- Pacaraima (RR): porta de entrada e triagem inicial.
- Boa Vista (RR): maior concentração absoluta, com cerca de 186 mil pessoas em todo o estado.
- Manaus (AM): centro logístico e de residência na região Norte.
- Curitiba (PR): terceira cidade com mais venezuelanos, muitos já inseridos no mercado formal.
- São Paulo (SP): destino tradicional para imigrantes em busca de oportunidades.
- Santa Catarina: mais de 70 mil venezuelanos, especialmente em municípios industriais.





