A Coreia do Norte oficializou uma mudança significativa em sua Constituição que pode redefinir o futuro das relações com o Sul. O novo texto elimina qualquer menção à reunificação com a Coreia do Sul e passa a tratar os dois países como Estados distintos, consolidando uma guinada política conduzida pelo líder Kim Jong-un.
A revisão foi aprovada pela Assembleia Popular Suprema, órgão legislativo do país, e inclui pela primeira vez uma definição formal do território norte-coreano. O documento estabelece que o país faz fronteira ao norte com China e Rússia, e ao sul com a Coreia do Sul — sem detalhar limites específicos na zona desmilitarizada, uma das regiões mais sensíveis do planeta.
Mudanças também interferem no direito arsenal nuclear do país
De acordo com a agência de notícias AFP, a mudança é vista como um marco simbólico e estratégico. Ao retirar a ideia de unificação, historicamente presente na retórica oficial, Pyongyang sinaliza uma postura mais rígida e menos aberta ao diálogo. A alteração também reforça a narrativa de que os dois países não compartilham mais um projeto comum de futuro.
Outro ponto relevante é o fortalecimento institucional do próprio líder. A nova Constituição formaliza o papel de Kim como chefe de Estado e atribui a ele controle direto sobre o arsenal nuclear do país. O texto ainda descreve a Coreia do Norte como uma potência nuclear “responsável”, justificando o desenvolvimento de armamentos como estratégia de defesa e soberania.
A mudança ocorre em meio a um cenário de tensões persistentes na península coreana. Apesar de iniciativas recentes do governo sul-coreano para retomar negociações, não houve avanços concretos. Paralelamente, o Norte tem intensificado testes militares e ampliado sua cooperação com aliados estratégicos.
Na prática, a nova Constituição consolida uma divisão que já existe há décadas, mas que agora passa a ser reconhecida formalmente como política de Estado.





